2000

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TEATRO LABORATÓRIO DA UNICAMP

 


 

TEATRO LABORATÓRIO DA UNICAMP

Campinas - SP - 2002

cliente: Unicamp

área construída: 9.465 m²

 


 

O Teatro Laboratório de Artes Cênicas e Corporais será um lugar de constante participação. Por ser um local de ensino e espetáculo, ele se torna um espaço cênico que dissolve as fronteiras entre agir e assistir, entre palco e platéia. A presença da criação e da expressão artística se torna o tema dos espaços públicos. O espetáculo explode os limites dos espaços físicos e passa a existir em todos os ambientes.

O partido consiste na integração entre o Teatro Laboratório e os Departamentos de Artes Cênicas e Corporais. A participação dos alunos nos diferentes ambientes reforça o aprendizado e a reflexão crítica, instigando os processos criativos. Ao mesmo tempo, o projeto garante a autonomia de funcionamento dos departamentos e os organiza em áreas definidas.

O elemento de ligação entre os diferentes ambientes é a 'grande passarela', uma proposta de espaço cênico, que tem sua origem no próprio teatro, e prolongada para o exterior, organiza o conjunto das edificações.

Teatro

O Teatro Laboratório viabiliza o processo de experimentação, explorando possibilidades de adição entre palco e platéia, ressaltando a idéia de que o público, os atores, a arquitetura e os equipamentos fazem parte do espetáculo. Se organiza em três setores principais:

a caixa cênica – de forma cúbica e multifuncional
a platéia fixa – com perfeição de todos aspectos de visibilidade e acústica
a passarela – linear e transformável

A interação entre estes espaços oferece uma grande diversidade de configurações do teatro, abrangendo não só os consagrados espaços de arena, elisabetano e o tradicional italiano, mas também o espaço livre e neutro para experimentação, que acontece exclusivamente dentro da caixa cênica.

Esta interação é feita através da passarela, que se localiza entre a caixa cênica e a platéia fixa. Pode ser utilizada integrada aos espaços convencionais (italiano, elisabetano, arena) ou como teatro linear ou rua, representando um elemento brasileiro no conjunto. Tem a capacidade de adaptação, se transformando em palco ou platéia, em lugar de ação ou contemplação, se assemelhando a uma rua da cidade.

A sua continuidade como elemento central do projeto, reflete o conceito para os Departamentos de Artes Cênicas e Corporais, tornando o Instituto de Artes um lugar de espetáculo e de constante presença de criação.

 

 

Passarela, arquibancada e área de convívio

A presença da passarela no exterior define a organização das edificações trazendo o espaço cênico, concebido no teatro, para os espaços públicos. A passarela forma uma área de convívio, um lugar de encontro e de movimento.

Uma grande escadaria que acompanha a extensão da passarela tem a função de compensar as diferenças de níveis do terreno, e ao mesmo tempo, se torna a arquibancada informal do espaço externo.

Uma área central de convívio é organizada no nível superior desta arquibancada, e configura um local de estar. Com sua localização central este ambiente une as áreas de convívio de todos os departamentos, inclusive o Instituto de Artes já existente. Ela forma o acesso principal ao novo complexo, fazendo a ligação entre o Instituto de Artes e as novas edificações. Comunica-se diretamente à passarela e dá acesso ao refeitório e à sala de apresentações com arquibancada e telão. As salas de aula prática dos departamentos de Artes cênicas e Corporais também são voltadas para este espaço, tornado as atividades que ocorrem em seu interior, acessíveis e transparentes.

Em toda a área externa podem ocorrer diversas atividades paralelas e complementares às atividades dos Departamentos de Artes Cênicas e Corporais, como teatro de boneco, marionete, shows. O espaço se configura como um lugar de utilização comunitária, mostrando que as atividades de Teatro e dança, que a arte plástica e as instalações do Instituto de Artes podem se voltar para fora, para o Campus.

Departamentos de artes cênicas e corporais

A arquitetura dos departamentos é concebida de forma a se comunicar com os espaços públicos. Esta comunicação cria a possibilidade de assistência às aulas, ou apresentações dos Departamentos de Artes Cênicas e Corporais quando desejado.

O tratamento volumétrico destes departamentos é homogêneo em sua maioria, evidenciando apenas as salas de aula prática voltadas para a passarela, que apresentam complexidade formal e tem a aparência de grandes 'monitores'. Estes monitores definem a fachada principal da edificação, que é voltada para a passarela.

A outra fachada, voltada para a Rua Bertrand Russel apresenta sobriedade em seu tratamento, evidenciando, os cheios e vazios. A sobreposição de elementos horizontais, transparências e semi-transparências, cria homogeneidade e estabilidade para a rua e tem a função de proteção contra incidência solar.

Os grandes 'monitores' das salas de aula permitem a total abertura das fachadas para a arquibancada informal. Mesmo com uma forma expressiva e contrastante apresentam salas com todo conforto e dimensões necessárias para funcionar como sala de aula convencional. Possibilitam também o fechamento visual para o exterior, garantindo a privacidade das aulas. Estes 'telões' também podem ser utilizados para instalações externas, como projeções de vídeos ou filmes, feitos pelo Instituto de Artes.

A separação por paredes independentes nas salas de aula prática favorece o isolamento acústico. Os demais ambientes também oferecem tratamento oferecendo boas condições de isolamento interior e exterior.

As circulações internas dos Departamentos de Artes Cênicas e Corporais são centralizadas em um eixo no interior das edificações. Possuem iluminação zenital e aberturas, garantindo a iluminação e ventilação dos ambientes internos. Estas circulações fazem a ligação dos dois departamentos, e com isso, permitem o fluxo entre os mesmos e a utilização mútua dos ambientes, basicamente das salas de aula. O Departamento de Artes Corporais apresenta um pátio interno voltado para estas circulações, que tem a função de servir como área de descanso e encontro.

A área administrativa deste departamento se localizada ao sul da passarela, formando um único volume junto à sala de apresentações e ao refeitório. As duas edificações que formam assim o Departamento de Artes Corporais são ligados por uma cobertura e estes elementos definem volumetricamente o ponto final da passarela.

A expressão arquitetônica do complexo é o elemento orientador das atividades. A vida nos ambientes criados é proporcionada através do uso dos alunos e da comunidade. O complexo convida para participação e se torna um pólo cultural, tanto para comunidade acadêmica quanto para a cidade de Campinas.

Teatro Laboratório

O projeto para o Teatro Laboratório foi a origem da concepção arquitetônica do conjunto das edificações. Os espaços cênicos criados pelas combinações dos espaços principais e a integração da passarela, que se prolonga pelos demais setores da escola, determinam o projeto de todo o conjunto e tornam legível o conceito do teatro: a transformação, integração e o simbolismo do elemento passarela.

O projeto consiste em uma composição de espaços, que permitem a maior flexibilidade de configurações de palco / platéia. Eles são:

a caixa cênica,
a passarela,
a platéia fixa,
os serviços (oficinas, camarins e áreas de apoio)

Esta composição oferece flexibilidade e potencial de experimentação e ao mesmo tempo mantém a perfeição dos espaços de palco e platéia através da separação em partes fixas e partes móveis. Além disso, oferece o espaço da passarela, do teatro linear, da rua; um espaço de grande identificação com a cultura brasileira.

A caixa cênica funciona como palco italiano completo. É dotada de grandes portões como reguladores de boca laterais podendo ser fechada, funcionando como teatro experimental ou, ainda, ter sua quarta parede rompida para se transformar em local de público ou simplesmente em palco com boca de cena até 15.00m de largura. Possui inclusive porão, um recurso cênico de piso importante tanto no espaço italiano como no experimental.

Possui os dois primeiros níveis de varanda preparados tanto para público como para cena ou serviço da cena (varandas de manobra), com telas de proteção separando o equipamento do público. Os níveis mais altos são restritos apenas para serviço, o que a possibilita abrigar as mais diferentes configurações de palco e platéia: arena, elisabetana, frontal, cenas simultâneas, platéia verticalizada, etc.

O espaço livre da passarela é o elemento de ligação entre o palco italiano e a platéia fixa, podendo receber um complemento de platéia desmontável para se tornar parte da platéia italiana, ou receber um avanço de palco e platéia desmontável para possibilitar espaços tipo elisabetano e de arena. Ela é o elemento de maior flexibilidade. Tem a qualidade de organizar os acessos e fluxos do teatro e se adapta aos espaços cênicos criados.

Ela abriga, ao longo da boca de cena, um espaço de 15 x 3 metros, com piso rebaixado, que, através das plataformas pantográficas pode ser nivelado com a rua, funcionar como fosso para musicais ou se transformar em proscênio.

A passarela possui ainda pontes de luz e pequenos urdimentos como recursos cênicos que possibilitam inclusive o seu uso para a arte circense, e também um telhado móvel que descobre seu espaço longitudinal, a exemplo do inusitado e criativo Teatro Oficina.

Dessa forma, a passarela é, sobretudo um palco natural para manifestações culturais, transvasando o conjunto de espaços cênicos e se prolongando para o exterior. Assim ela é a ligação com a Faculdade e a continuidade do teatro na rua.

A platéia fixa, correspondendo a aproximadamente 2/3 da platéia solicitada, tem a vantagem de ser uma platéia com tratamento acústico completo e adequado (teto, piso e parede) e visibilidade perfeita, cuidados difíceis de implementar quando se trata de platéia desmontável, podendo ser complementada com facilidade e rapidez.

A Platéia fixa juntamente com a passarela podem também funcionar de forma simultânea com o espaço experimental da Caixa Preta, como mais uma configuração possível.

Aspectos técnicos

O controle de luz poderá ser móvel, localizando-se na cabine atrás da platéia fixa ou em uma das duas varandas da caixa, deslocando-se apenas o painel de controle.

As varandas da platéia fixa funcionam como local para canhões e outros projetores de luz e como passagem de comunicação entre a cabine de controle e a caixa.

As instalações de mecânica cênica que equipam a caixa são tradicionais quando funcionam para o palco italiano e são alternativas para o espaço experimental, funcionando como uma grelha mais baixa.

Empregamos em nossa proposta uma tecnologia simples como a dos grandes portões, que possibilitam a fácil modificação dos espaços e o uso de sistemas de arquibancadas desmontáveis industrializadas nacionais tipo plataformas pantográficas reguláveis para diversas alturas, com acessórios como guarda corpo para a criação das platéias alternativas e complementares.

Os espaços de apoio do teatro como oficina, depósito e serviços em geral, são dispostos ao redor da caixa cênica otimizando as circulações e facilitando os fluxos.

 

 

 

Equipe:
Marco Milazzo
Robson Jorge
Ana Paula Polizzo
André Lompreta
Gustavo Martins
Thorsten Nolte

 

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