2000

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TEATRO GLÓRIA

 


 

TEATRO GLÓRIA

Vitória - ES - 2007

cliente: SESC Nacional

área construída: 5.350 m²

 


 

CENTRALIDADE

O centro histórico de Vitória abriga a mais diversa tipologia construtiva, onde convive, lado a lado, prédios históricos com edifícos garagens e comerciais de gabarito elevado. Esta convivência nem sempre é harmônica, como no caso do Edificio Glória, hoje espremido entre prédios com altura desproporcional a sua. Em fotos históricas, vemos o Edificio Glória como o mais alto da região - e segundo historiadores foi, em 1932, a primeira construção de cinco andares de Vitória – preponderando sobre os demais, exercendo uma forte centralidade urbana. Atualmente esta característica se perdeu. O Edifício Glória se confunde com outros de qualidade arquitetônica inferior, banalizando sua importância histórica e estética.

PERMANÊNCIA

O Edifício Glória ainda é uma edificação importante para a população de Vitória. Por mais que as pessoas não saibam sua localização ou o que ocorre em seu interior, o prédio é sempre lembrado por seu teatro – o Teatro Glória – que o confere um caráter simbólico. O programa de uso, mais que a arquitetura, é o responsável por esta permanência do símbolo ao longo dos anos.

GRADAÇãO

A grande quantidade de informações condensadas presente no centro de Vitória fascina qualquer visitante. Montanhas verdes próximas de grandes navios, prédios de diversos estilos e alturas, containers, pontes, fluxo intenso de carros e ônibus, lojas, prédio abandonados, tudo isso ao alcance da vista e num raio de, no máximo, 100 metros! O Edifício Glória, como parte integrante deste locus, é, ao mesmo tempo, um contraponto extraordinário: sua arquitetura eclética, com ritmos de composição bem definidos, fachada trabalhada de maneira austera, se coloca como um “portal”de transição entre o caos externo e a simplicidade de seu interior. Esta gradação de sensações que temos ao adentrar no Edifício Glória acalma e relaxa os sentidos, nos tornando aptos para absorver novas e distintas informações.

CONSOLIDAÇÃO

A iniciativa do SESC em restaurar e transformar o Edifício Glória num grande equipamento cultural será de grande valia para impulsionar um processo de reurbanização da área central com enfoque na valorização de seu patrimônio histórico. Esta postura consolida uma nova vocação para o centro histórico de Vitória: produção de cultura. Neste sentido, vemos como uma grande oportunidade propor, para o entorno do Edificio Glória, alterações urbanísticas que dêem suporte a esta nova vocação, atratora de um novo e refinado público, ávidos por atividades culturais e comerciais diferenciadas.

A PROPOSTA

A proposta de transformação do Edifício Glória em um Centro Cultural, baseia-se na criação de um sistema estrutural integrador de duas importantes áreas existentes no edifício: a área do Teatro Glória em si, configurado por sua platéia, balcão e mezanino, e a área que abrange os andares superiores ao Teatro, voltados para o vão existente.

As novas necessidades funcionais deste espaço estimulam a comunicação entre Teatro e andares superiores, pois ambos devem poder participar dos programas voltados para o lazer e o entretenimento promovidos pelo Sesc, sendo interdependentes.

Através da inserção de uma estrutura espacial metálica no vão composto pela atual caixa cênica estabelecemos a ponte entre estas duas áreas, servindo como suporte estrutural e de acesso aos novos usos, como o teatro para 150 pessoas, o cinema, uma área para utilização múltipla e área de administração geral do Centro Cultural. Esta estrutura espacial também abriga as circulações propostas ao complexo cultural, que paralelamente colaboram para seu contraventamento estrutural.
[texto Paulo Vidal – centralidade]

A execução de edifícios anexos a prédios históricos não só podem resultar em um conjunto harmonioso, como, também, se beneficiar de um certo controle da arquitetura do entorno imediato antes inexistente. Ao neutralizar a visão da edificação vizinha que funcionava como um pano de fundos irregular, introduzindo um painel de coloração e textura apropriadas, o arquiteto ? O prédio anexo a Museu Salomon R. Guggenheim, com seus 10 andares, cumpre a dupla função de dotar o museu da área necessária ao seu adequado funcionamento, e melhorar a legibilidade do edifício original.

Uma solução similar foi adotada pelo IPHAN no Plano Diretor do Hospital São Francisco de Assis no Rio de Janeiro. O conjunto de edificações que compõem o hospital recebeu ao longo dos anos uma série de anexos para abrigar atividades não previstas no projeto original, prejudicando a legibilidade do bem tombado federal. Seu entorno, verticalizado, prejudicava a perspectiva do conjunto. Assim, buscando uma solução que atendesse às necessidades de área e ao controle das visuais do entorno, o IPHAN propôs a remoção de todos os anexos espúrios e a construção de uma lamina vertical com arquitetura apropriada a servir de fundo visual ao conjunto tombado.

O andar térreo é transformado em um grande foyer e se abre para a cidade, possibilitando que o passeio existente amplie-se para o interior do edifício, permitindo tanto ao visitante quanto ao transeunte a franca percepção da relação entre interior e exterior.

A esquina principal do antigo edifício ganha novo pé-direito, permitindo que a “casca funcional” que abrange o Teatro seja percebida da via pública e ganhe devida importância.

O café e a bilheteria são os usos agregados a este novo foyer que faz a transição entre cidade e Teatro, público e privado. O Centro Cultural ganha dois acessos específicos: um voltado para a Praça, que permite acesso controlado e direto para as funções existentes nos pavimentos superiores, e acesso de serviço e de carga, situados frente à rua, com o objetivo de suprir o Teatro principal, o de menor porte e outros usos localizados nos andares acima, tais como a biblioteca, café, cinema.

Estes dois acessos são munidos de elevadores de carga e de transporte de passageiros, além de escadas enclausuradas atendendo as necessidades das normas de segurança. A escada externa anexada ao volume do Teatro “costura” cada andar, mantendo-se independente no acesso a cada ambiente. Esta escada poderá ser utilizada somente para o Teatro, quando for necessário, ou mesmo manter isoladamente a área do Teatro das demais funções existentes. Nos andares superiores ao Teatro, o vazio formado pela criação de um pátio interno no vão do Edifício antigo permite que outra parte do programa de necessidades se comunique intensamente com este novo espaço. Assim, o pátio se torna extenção de novos programas, como a biblioteca, a livraria, o espaço de literatura, a galeria de artes, o espaço de memória e outros, todos voltados para este vazio.

O Terceiro Pavimento é um “andar praça”. Nele o programa se espalha, se comunicando com os demais. O pátio interno abriga palco e platéia, já que o teatro para 120 pessoas se volta para ele. Como o Teatro de menor porte, funções como a biblioteca, a sala de leitura, memória, e galeria, participam da dinâmica deste lugar, estimulando notórias raízes do Sesc, no estímulo da presença de usos afins em um único espaço sem compartimentá-los.

“Para que alguma coisa relevante ocorra, é preciso criar um espaço vazio. O espaço vazio permite que surja um fenômeno novo, porque tudo que diz respeito ao conteúdo, significado, expressão linguagem e música só pode existir se a experiência for nova e original. Mas nenhuma experiência nova e original é possível se não houver um espaço puro, virgem, pronto para recebê-la.”
Peter Brook (do livro A Porta Aberta)

O quarto pavimento funciona como um mezanino voltado para a área do pátio, nele encontra-se o cinema, a área fechada da galeria, a sala de dança, o espaço para música e outros, fazendo deste local mais compartimentado, em função de seu programa.
Uma escada e passarelas metálicas fazem o acesso do pátio ao quarto pavimento e ao terraço. No terraço enconta-se um cyber café, voltado para a área do porto da cidade que invade a área central. É neste lugar que o contato com o espaço natural e construído da cidade é mais intenso, permitindo que o visitante e o frequentador do Centro Cultural faça parte da paisagem e interaja com ela. O cinema se abre para este terraço, que permite sua ocupação em qualquer período do dia e da noite, devido ao seu fácil acesso.

CONSOLIDAÇÃO

“Resumindo, a solução apresentada é de fácil apreensão, pois se caracteriza pela simplicidade e clareza do risco original, o que não exclui, conforme se viu, a variedade no tratamento das partes, cada qual concebida segundo a natureza peculiar da respectiva função, resultando daí a harmonia de exigências de aparência contraditória. É assim que, sendo monumental é também cômoda. Eficiente, acolhedora e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional.(…)”
Lúcio Costa (1957, Memória Descritiva do Plano Piloto)

Sobre as instalações complementares Os projetos de instalações, dada a natureza do empreendimento, se comprometerão com as facilidades de implantação e manutenção, visando baixo custo sem, no entanto, comprometer sua qualidade. Os projetos acompanharão a flexibilidade da arquitetura proposta e procurará se utilizar dos recursos mais modernos existentes no mercado.

Central de utilidades

Como ponto de partida das instalações, será previsto uma central de utilidades em área subterrânea em ponto central ao empreendimento, que abrigará as subestações de energia elétrica, reservatórios de água, casas de bombas, geradores e outros sistemas necessários. A implantação subterrânea desta central objetiva que sua construção não impeça o crescimento / expansão do empreendimento bem como a liberdade de desenvolvimento da arquitetura. Sua localização busca o centro de carga de distribuição das instalações procurando diminuir as suas variações ao longo dos trajetos, conforme o tipo de instalação, tais como quedas de tensão, perdas de carga, impedância, etc., visando economia de materiais.

Instalações elétricas

O projeto buscará a independência dos espaços com quadros de distribuição próprios a fim de que se possa monitorar as grandezas elétricas em pontos distintos bem como possibilitar as medições de consumo de energia, caso necessário. Haverá ainda, a criação de um sistema de emergência através de grupos geradores para atender cargas consideradas essenciais para uma eventual falta de energia local.

Instalações hidráulicas

Visando o baixo custo de implantação, maior controle de demanda e manutenção mais centralizada, o projeto contemplará somente reservatórios inferiores na central de utilidades, sendo a distribuição de água feita por um sistema de pressurização, alimentador de um “anel” que contornará todo o empreendimento, garantindo, assim, distribuição de água aos pontos fixos e a futuras ligações que possam surgir.

Instalações de esgoto

A rede de esgoto será projetada de forma a buscar o aproveitamento da declividade natural do terreno de acordo com o projeto final de arquitetura a as condições da rede local, Tal como a hidráulica, esta poderá ter um percurso de forma a permitir o esgotamento de outros elementos que não estejam efetivamente no projeto, mas que sejam necessários prever.

Águas pluviais

Além de atender ao mesmo exposto na rede de esgoto de aproveitar a declividade natural, a rede de águas pluviais proveniente das coberturas será encaminhada a reservatórios próprios para a sua utilização em sistemas de lavagem e irrigação de áreas ajardinadas.

Sistemas de telefonia, lógica, som, cftv, alarme e outros

O projeto consistirá na adoção de encaminhamentos e pontos de distribuição que sejam flexíveis para o lançamento de qualquer outro sistema conforme as necessidades do empreendimento.

Ar condicionado

O sistema de ar condicionado constará de casas de máquinas individuais a fim de que se tenha independência de sua operação conforme a utilização dos espaços como um todo ou em parcial. Os dutos serão dimensionados de forma a atingir baixos níveis de ruído a fim de que não interfiram nos espetáculos. A locação dos equipamentos se dará de forma harmônica a arquitetura possibilitando fácil acesso e manutenção.

Combate a incêndio e pânico

As instalações pertinentes a esta matéria deverão atender às normas locais e irá utilizar os recursos mais recentes de empreendimentos semelhantes.

O Projeto do Teatro Gloria teve Rodrigo Azevedo / AAA como Responsável pelo Contrato.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Rodrigo Azevedo / AAA
Ana Paula Polizzo
Paulo Vidal
Carol Braga
Gustavo Martins

 

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