2000

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SHOPPING DA UNISINOS

 


 

SHOPPING DA UNISINOS

São Leopoldo - RS - 2005

cliente: Universidade Vale dos Sinos

área construída: 5.000 m²

 


 

UNIR FRAGMENTOS
Rede de relações múltiplas

O conceito fundamental proposto pelo concurso, que se entende por UNICIDADE gera uma pluralidade de ações, as quais criam diversas relações entre as esferas do público e o do privado. Através destas ações, faz-se com que o campus participe da cidade e das suas mutações coletivas, integrando-se ao tecido urbano e oferecendo à comunidade novos espaços de convivência.

Nossa proposta visa a identificação e o fortalecimento dos diversos pólos de desenvolvimento, chamados por nós como campos de força, ou polaridades existentes dentro do campus, assim como as relações que se tecem entre estes pólos internos e as atividades desenvolvidas fora do campus da UNICIDADE. Faz-se, dessa maneira, uma sobreposição gráfica e espacial de caminhos, passagens e pontos de conexão entre partes, estimulando a fácil mobilidade e comunicação entre elas, gerando novas possibilidade de apropriação coletiva dos espaços resultantes. A proposta visa também, por outro lado, estimular a valorização dos espaços e a diversificação dos usos, potencializando outros tipos de empreendimentos destinados a gerar bens e produtos para a sociedade.

RECONHECER-SE
Cidade e campus – campus e edifícios – edifício e usos

A elaboração das propostas de requalificação urbanística e anteprojeto de reforma e ampliação do Centro Administrativo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos se deu em dois momentos consecutivos. Primeiramente nos aprofundamos na identificação das diversas polaridades e posteriormente propusemos conexões entre as partes identificadas.

Desta maneira, construímos diretrizes e metodologias para análise e reconhecimento da área, propondo identificação de seus pontos de múltiplas atividades físicas, administrativas, culturais, esportivas e sociais, além das barreiras arquitetônicas e urbanísticas que tornem inadequadas a utilização total da área por seus usuários e população geral.

Estipulamos então, como fator fundamental, a consideração desta múltipla rede de conexões, segundo três escalas de estudo compostas pelas relações entre:
cidade – campus
campus – edifícios
edifícios – usos

Entende-se, que o resultado atingido para o projeto do Shopping é uma resposta a um conjunto de “amarrações”, que vem de fora pra dentro, em um movimento centrífugo, consolidando-se através da observação destes campos de força imbuídos de significação, conferidos pela própria dialética das atividades da vida no seu contínuo desenvolvimento.

POLARIDADES

A identificação das polaridades implícitas no objeto de estudo se torna possível através da reprodução da energia dos fluxos que atravessam o campus e refletem o ritmo do lugar. Seja a partir da passagem de veículos, da infra-estrutura instalada, do acúmulo de pessoas, do uso, da passagem de pedestres, da identificação de edifícios e pontos de referencia, da existência de equipamentos públicos, dos pontos de ônibus, do mobiliário urbano, dos serviços, nas relações pessoais, no passeio de bicicleta...

É a partir deste conjunto de elementos físicos (clima, mobiliário, desenho urbano...) e imateriais (relações sociais), que estão passíveis as relações através das conexões diversas. Hoje, em geral, estes elementos são independentes e não se reconhecem, mas podem e devem interagir. As relações criadas geram polaridades que sustentam a idéia básica de potencialização da área em estudo contemplando também a eliminação das barreiras à acessibilidade.

De UNI a POLICIDADE - potencialidade urbana
CIDADE - CAMPUS

Após a identificação das limitações impostas pelas barreiras arquitetônicas encontradas na área, propomos sua eliminação visando uma aproximação entre partes desconexas (polaridades), que estimularão o vínculo físico e social entre elas. Este fator dinamizará a ocupação democrática dos espaços construídos para todos os indivíduos, independente de suas características físicas, sensoriais e mentais.

Buscou-se dinamizar os acessos ao campus, identificando-os e visando tornar legíveis o sentido e a hierarquia das vias que costuram o campus à cidade, através das avenidas, formando uma grande rede de conexões.

Uma das maneiras de facilitar o diálogo do campus com seu entorno é através da criação de uma identidade própria dos edifícios, buscando gerar intuitivamente no freqüentador e visitante do campus vontade de explorar seus espaços e seus novos usos.

CAMPUS - EDIFÍCIOS

Buscamos, através de nossa proposta urbana, tornar o edifício do Centro Administrativo da UNISINOS, local de inserção do Shopping Center, mais acessível, o que significa melhorar a “costura” entre acessos e áreas de convívio internas ao campus, conseqüentemente, com suas sub-centralidades locais, estabelecendo vínculos mais fortes, consolidando a necessária percepção de “pertencimento”.

Estas diretrizes buscam uma valorização não só do espaço físico, mas também da coletividade, através do estímulo ao desempenho social, educacional, histórico e simbólico do espaço. Para gerar um sentido gráfico a intervenção se propõe integrar os espaços entre edifícios com circulações públicas e privadas, criando uma malha que invade também o interior do centro administrativo, dando continuidade à leitura gráfica paisagística proposta ao campus, alternando usos, texturas e cores aos espaços internos. A idéia é fazer o visitante e freqüentador dos espaços, buscarem novas relações entre interior e exterior, reconhecendo claramente em cada situação espacial suas particularidades.

Os desenhos de piso propostos seguem as condições geográficas e topográficas locais através de platôs e jardins escalonados com vegetação nativa. Esta nova leitura urbana busca incentivar não apenas o contato visual entre edifícios, mas instigar o usuário do espaço, através da formação de um sistema de percepção espacial, que visa potencializar cada sentido humano, tornando os caminhos mais curtos e interessantes ao usuário.

Também se propõe a inserção espaçada de elementos de interação, como esculturas, equipamentos públicos diversos, entre caminhos, acessos e locais de estar, fazendo com que os usuários interajam com tais elementos, reforçando a apropriação coletiva destes espaços, e relacionando seus elementos identificadores com o interior do Shopping Center a ser implantado.

EDIFÍCIO - USOS

Para a reforma e ampliação do complexo formado entre o Centro Administrativo e o ambiente de conhecimento, que visa a construção de um Shopping Center da UNISINOS, procuramos adotar os seguintes critérios de intervenção:

Implantação

Através de um estudo da necessidade espacial da volumetria do programa de atividades proposto, optou-se por ocupar o espaço interior do Centro Administrativo, encarado por nós como o continente das funções propostas. Criamos então um limite estrutural claro entre o edifício existente (continente) e sua ampliação (conteúdo).

Distribuição Funcional

A nova intervenção ocupa integralmente o interior da edificação atual, onde todas as funções foram locadas. A integração entre as duas partes se dá através da circulação interna existente, assim como através de uma circulação em chapa metálica perfurada, que marca a intervenção, permite a iluminação natural e também a independência estrutural.

Foram inseridas também novas circulações verticais que marcam os setores e também clarabóias que permitem a iluminação natural dos ambientes.

A área do primeiro pavimento é expandida, através de uma escavação, ocupando a outra metade da circunferência da edificação existente, possibilitando a inserção do supermercado com o aproveitamento do pé-direito livre necessário e a utilização da área restante para a distribuição de lojas.

As lojas existentes das agências bancárias e dos correios foram mantidas, e integradas a “alameda de serviços”, onde estão localizadas pequenas lojas.

Neste pavimento se encontram as funções de serviço e as docas, permitindo um abastecimento direto do supermercado e do restante do shopping através de uma escada e um elevador de serviço.
O acesso principal é feito pelo segundo pavimento, onde se situa o acesso às salas de cinema, e à praça de alimentação.

A praça de alimentação é distribuída linearmente, para poder atender as diversas lojas e restaurantes. Estes, por sua vez, são atendidos por um corredor de serviço, com conexão ao elevador e a escada de serviço.
Procurou-se estabelecer acessos independentes as lojas âncoras do shopping. Estas atividades poderão ser acessadas independentemente, em horários diferenciados, sem interferir no fluxo do resto do shopping. É o caso também dos restaurantes que foram locados no nível de acesso ao segundo pavimento, em uma área de praça a sudeste do shopping.

Distribuição dos usos – dinâmica das atividades

Para a distribuição dos usos no interior do shopping, nos baseamos nos critérios pré-estabelecidos de identificação de cada atividade. Então separamos as lojas e o setor administrativo em cinco seguimentos:
Lojas de atividades – alameda de serviços;
Lojas varejistas – com o total de 15mil m2;
Lojas âncoras – supermercados, cinema e outras;
Lojas com apelos culturais, próximas ao público universitário;
Administração;

Estes seguimentos foram locados em diversas posições dentro do shopping procurando diversificar os usos entre pavimentos, estimulando o visitante a circular pelo espaço.

A nova malha estrutural proposta para o conteúdo do edifício foi pensada, com o objetivo de possibilitar diversas proporções de dimensões de lojas, variedade de comprimento linear de vitrines e disposição de atividades nos andares.

A existência de clarabóias marca os espaços de convívio, que se relacionam com as atividades comerciais do novo espaço.

Foram locados alguns quiosques com atividades comerciais de suporte as lojas varejistas, distribuídos ao longo das circulações e praças internas. O posicionamento dos logotipos das lojas e a forma dos quiosques deverão ser padronizados, a fim de estabelecer uma unidade comum a leitura dos espaços, fortalecendo o compromisso maior com o campus universitário.

A administração foi localizada no 3º pavimento, concentrada da metade da circunferência, racionalizando as circulações e as relações entre os ambientes.

Diretrizes de sustentabilidade

A introdução dos conceitos de sustentabilidade no shopping envolve um leque abrangente de iniciativas.
O projeto procura conjugar os conhecimentos locais de construção, fatores ambientais e climáticos, exigências de durabilidade, praticidade, economia, segurança, além de visar impacto positivo e duradouro sobre o ambiente físico ao qual se insere.
São Leopoldo possui uma grande variação climática, o que exige aquecimento da edificação no inverno e resfriamento no verão. Segundo a Carta Climática da cidade em 22,4% das horas do ano há conforto térmico, em 25,9% o desconforto é causado pelo calor e em 51,6% pelo frio.
A insolação e o clima foram, juntamente com a compreensão da complexidade das relações do programa, fatores determinantes na forma da edificação. Procurou-se dar a maior visibilidade possível dos ambientes para o exterior, assim como possibilitar aproveitamento de luz natural. A inclinação da fachada exterior proporciona sombreamento dos ambientes ao mesmo tempo em que se torna uma barreira térmica eficiente.

O sistema horizontal de brises aplicados à fachada existente é formado por conjuntos de elementos de alumínio fixados através de perfis nos pilares da fachada. Estes são fixados de maneira individual modulada por pavimento.

As lâminas dos pavimentos são atravessadas por um grande vão que permite iluminação e ventilação natural cruzada intensa, minimizando a necessidade de iluminação artificial durante o dia e fazendo o controle de temperatura interna ao edifício. O vão pode ser isolado, através do fechamento das esquadrias.

O edifício é dotado de instalações para o recolhimento da água resultante da condensação dos aparelhos de ar condicionado e da água de chuva acumulada na cobertura, que, após ser devidamente tratada, é armazenada em uma cisterna individual e podem ser utilizadas em lavagens, serviços de jardinagem e nas descargas dos vasos sanitários.

Materialidade e viabilidade técnico-construtiva e econômica

A concentração de toda a intervenção dentro da edificação existente traz uma série de vantagens, que torna muito mais viável a construção.

A adoção deste partido facilitou a distribuição funcional de todo o programa, aproveitando parte do edifício existente e o ampliando internamente. Através da compactação no interior do edifício, se obtém um maior aproveitamento de áreas úteis de lojas, dispensando áreas excessivas destinadas a circulações de visitantes e de serviços.

Todas as instalações se reduzem muito, pois os caminhos que os dutos devem percorrer são bem menores.

A edificação existente praticamente não foi alterada e como a nova construção é totalmente integrada a ela, não houve gastos em fechamentos de fachada.

O sistema de ar condicionado é composto por chillers à água e por fan coils. A divisão dos aparelhos de fan coils em cada pavimento permitem a refrigeração somente nas área necessárias, através da distribuição de grandes aparelhos para áreas maiores e pequenos aparelhos para salas individuais da administração, tentando evitar ao máximo a utilização de dutos de ar, que são causadores de doenças e exigem manutenção periódica.

Fachada

O sistema de brises que protegem as fachadas do Shopping Center tem sua densidade determinada pelo ângulo de incidência do sol durante o período mais quente do ano, bloqueando-o e ao mesmo tempo permitindo sua entrada nos ambientes internos no período mais frio.

Os pilares existentes, externos ao edifício, funcionam como barreiras verticais impedindo a entrada dos raios solares no início da manhã e no final da tarde. Sabe-se que a disposição destes elementos ao longo da fachada circular permite também o controle acústico de todo o edifício.

Criamos uma continuação gráfica entre os dois edifícios (centro administrativo e ambiente do conhecimento) e através da utilização do mesmo sistema de fechamento, buscando clara identificação entre as partes. Para ser conseqüente a utilização deste mesmo sistema de fechamento em ambas as fachadas são necessárias a troca dos vidros espelhados do edifício formado pelo ambiente do conhecimento, por esquadrias de alumínio com vidros transparentes, fazendo com que o este edifício participe com mais intensidade das novas relações espaciais propostas ao campus e seu entorno imediato.

Intercalam-se entre os fechamentos, placas de cobre patinado, criando maior rebatimento entre as propostas gráficas do paisagismo e do interior do shopping, viabilizando a fixação de logotipos.

Ao tratamento homogêneo na fachada por parte dos sistemas horizontais de fixação, chamamos de “membrana informativa”. Ela representa o dinamismo dos usos internos ao edifício e ao seu conteúdo, possibilitando a perfeita utilização de logomarcas e indicação de futura programação sem comprometer a branda legibilidade do local e de seus edifícios vizinhos.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Ana Paula Polizzo
Gustavo Martins

 

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