2000

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SEDE DO IPHAN EM BRASÍLIA

 


 

SEDE DO IPHAN EM BRASÍLIA

Brasilia - DF - 2006

cliente: Iphan

área construída: 28.000 m²

 


 

TERRA VERMELHA

No nada do cerrado Brasília se construiu: fruto da ousadia daqueles que sonharam em poder mudar as coisas, fazendo brotar da terra vermelha a nossa capital. Assim, naquele lugar, através da construção de uma forte intenção, se estabeleceu uma nova paisagem refletida na concepção de formas arquitetônicas e urbanas.

A nossa proposta para a nova sede do Iphan de Brasília surge a partir da criação de uma intenção conjunta, onde arquitetura é paisagem, e paisagem é arquitetura. Esta intenção faz do novo edifício resultado de uma paisagem construída que se adapta ao seu exterior e invade seu interior, atuando sobre sua base natural e gerando uma exata harmonia entre terreno e construção, o que contribui para sua adequada austeridade.

A relação entre construção e base natural é o item articulador de toda a programática da proposta compositiva do novo edifício. Assim, o objeto se mistura a paisagem, sendo invadido por áreas de praça, coberturas vegetais e jardins. Também ganha evidentes proporções horizontais e uma sóbria ocupação espacial, na medida em que sua verdadeira altura desaparece em meio ao terreno construído e a base natural. Esta implantação sugere maior interatividade com o transeunte, através do encaminhamento do público para as funções abrigadas no primeiro subsolo.

IMPLANTAÇÃO

O edifício está implantado na parte superior esquerda do terreno, onde sua ocupação permite que os acessos às garagens e às áreas de serviço possam ser feitos restritamente e funcionalmente. Também permite que uma área non aedificandi de terreno natural seja mantida e requalificada paisagisticamente.

É importante notar que as áreas de garagens estão dispostas ao fundo do terreno, e também se misturam as paisagens, funcionando em dois níveis cobertos por coberturas vegetais.

A FORMA

No nosso projeto, a idéia de construção é composta pelo edifício e pelo paisagismo modificado; e a de paisagem, é composta pela base natural do terreno. A forma do edifício surge a partir das intersecções entre construção e paisagem, se adaptando aos condicionantes externos e internos ao edifício. A manipulação de parte do terreno fez com que se viabilizasse a incorporação do terreno pelo edifício e também do edifício pelo terreno. Paisagem e arquitetura se conjugam em um todo único integrado ao conjunto campestre da área em questão.

ESPACIALIDADE

O edifício sede do Iphan é disposto num formato “u” possibilitando abrigar uma praça pública em seu interior, para onde todo o edifício converge. Como o edifício também é formado pela paisagem que o invade, seus níveis potencializam diferentes espacialidades permitindo que este edifício seja descoberto e devidamente percorrido.

ACESSOS

O edifício funciona em níveis que separam as áreas de livre acesso ao público, das áreas para trabalho (de acesso público restrito), administrativas e de serviço.

O Acesso principal ao edifício é público, e se abre para uma praça interna coberta por sheds, feito pela baia interna de estacionamento da quadra (noroeste). Nesta praça estão situados os principais equipamentos culturais, como o auditório, biblioteca, café, loja, reserva técnica, área de exposição e outros. Também neste nível estão as áreas de serviço administrativo, restrito a funcionários, como praça interna de serviço, cozinha, docagem e outros. Duas rampas permitem o acesso direto de pedestres, tanto ao nível aberto ao público (cota –2,10m), como à área destinada aos funcionários do IPHAN (cota +2,40m).
Os acessos verticais são feitos através de três elevadores e quatro escadas enclausuradas localizados estrategicamente, de maneira a atender as funções do programa de utilidades, as normas de acessibilidade e incêndio.

O acesso a partir do estacionamento, projetado dentro da área do terreno, é garantido também de forma direta e para o pátio interno do edifício, mas pela direção oposta do acesso preferencial (entrada pela fachada sudeste). Existe ainda um acesso de serviço e destinado a cargas e descargas de mercadoria.

O estacionamento dentro do lote inclui três áreas distintas: uma descoberta e próxima da área de acesso de serviço, outra coberta na cota –5,10m e ainda outra, também coberta, mas na cota –2,10m, com acesso direto ao pátio interno do edifício.

SISTEMA CONSTRUTIVO

O conjunto estrutural do edifício foi pensado para ser executado em estrutura metálica, buscando através deste sistema aproveitar suas principais características como o alívio nas fundações, os vãos livres maiores, sua organização em canteiro de obra e outros condicionantes.

A maior parte da estrutura metálica presente no novo edifício é revestida por painéis metálicos com isolamento acústico e térmico. Grande parte das lajes do novo edifício é do tipo steel deck. Na área da praça pública sob os sheds, por conta dos grandes vãos, optamos por adotar uma estrutura espacial formada por treliças metálicas.

Nas áreas de subsolo optamos pela inserção de estrutura de concreto pré-moldadas, o que nos facilitará na contenção de paredes e conseqüentemente na aplicação de revestimentos.

Todo o cabeamento do edifício, assim como dutos de ar condicionado, elementos de automação, iluminação, proteção de incêndio entre outros será distribuído pelo entreforro, possibilitando uma maior flexibilidade em caso de mudanças de layout. Por este mesmo motivo, os pavimentos são corridos, sendo fixos somente a área de banheiros e escada enclausurada de concreto armado.

O edifício é reconhecido visualmente externamente como composto por uma pele dotada de “poros”, que são as clarabóias que possibilitam a iluminação zenital e ventilação cruzada dos ambientes da presidência e diretoria. Esta pele também favorece a futura aplicação de divisórias móveis, flexibilizando ao máximo o layout do edifício.

PROGRAMA

A distribuição funcional concentra as atividades abertas a todos os usuários no piso inferior (centro de memória, loja, arquivo intermédio e permanente, biblioteca Aloísio Magalhães, auditório, sala de grandes reuniões, cafeteria, refeitório). No mesmo piso encontram-se também as áreas de serviço (área de cargas e descargas, vestiários, sala de motoristas, cozinha, almoxarifado) e áreas técnicas da administração da sede (sala do administrador, posto médico, reprografia, arquivo corrente).

No piso imediatamente a cima, e com acesso privilegiado a partir da doca de descargas, encontram-se os laboratórios (departamento de edificações, arqueologia, geoprocessamento, bens móveis e integrados e programas de capacitação), envolvidos a norte pelas restantes salas destinadas à diretoria administrativa e, a sul, pela área de coordenação (coordenação geral I e II).

No piso da cobertura encontram-se as diversas diretorias (diretoria técnica I, II e III) e a presidência (gabinete, procuradoria federal, auditoria interna, conselho consultivo).

VIABILIDADE CONSTRUTIVA E MATERIAIS

A opção em construir o edifício empregando o aço, nos permitiu potencializar nosso conceito formal e a pensar em cada elemento construtivo como formador de um único sistema. A repetição de elementos estruturais como lajes e treliças, facilitam a execução dos mesmos elementos e conseqüentemente sua viabilidade econômica.

Propomos que as divisórias sejam de drywall, tornando a estrutura do edifício mais leve e mais econômica. Estas divisórias poderão ocasionalmente receber isolamento acústico entre as placas. De maneira a possibilitar a ventilação cruzada nos ambientes, estas divisórias podem ter sua parte de contato com o forro substituídas por venezianas metálicas ajustáveis.

O edifício é revestido por painéis metálicos do tipo sanduíche, com preenchimento interno de poliuretano. Estes painéis são fixados em uma estrutura independente de alumínio, para que permitam ainda a existência de um colchão de ar entre o revestimento e a parede. O mesmo acontece em parte da cobertura do edifício, fazendo com que o aspecto externo do edifício seja o de um objeto monolítico poroso.

CONFORTO AMBIENTAL

Nosso edifício funciona como um grande sistema corpóreo, cujo contato entre exterior e interior se faz através de uma “pele” homogênea, composta pelo vazio formado entre revestimento externo (painéis duplos metálicos com proteção acústica e térmica), estrutura metálica e o forro metálico interior.

É nesta “pele” que as clarabóias se espalham iluminado indiretamente, os ambientes. Volumetrias e plataformas, como o auditório e as garagens são recobertas com uma cobertura vegetal, objetivando minimizar a propagação do calor, e permitindo sua inserção paisagística no todo. Em função do ambiente extremamente seco de Brasília, também são incorporadas à edificação e ao terreno, espelhos d’água, que visam umidificar os ambientes. Na praça pública, no interior do edifício, um grande espelho d’água invade este ambiente, possibilitando circulação por cima dele, através de passagens em chapas furadas de alumínio.

Cada fachada responde direta e claramente à incidência solar através de artifícios técnicos que possibilitam a proteção térmica dos ambientes. O interior da praça pública é protegido através do balanço do edifício e pelos sheds na cobertura. As fachadas noroeste e nordeste possuem poucas aberturas e as sudeste e sudoeste são compostas por brises fixos na vertical. Entre estes brises e as esquadrias existe um sistema de aspersão d’água, que quando em funcionamento vai permitir que micro-partículas d’água criem um verdadeiro colchão térmico que ajudará na manutenção de uma sensação térmica confortável.

SUSTENTABILIDADE

Todos os processos de construção significam perdas energéticas para o meio ambiente, que dificilmente podem ser abolidos, como por exemplo o concreto armado. Porém, ao ser mantida a grande maioria das áreas verdes fazendo-se o aproveitamento dos seus recursos, ao utilizarmos tetos com isolamento e proteção e ao realizarmos uma implantação correta em termos de orientação solar, estaremos reduzindo para baixo a curva de consumo de recursos que uma construção deste porte demanda, para assegurar um adequado índice de sustentabilidade ao longo do tempo. Esses cuidados permitirão que a nova sede do Iphan de Brasília possa solicitar certificação junto a órgãos ambientais nacionais e internacionais, como por exemplo o Green Building.

ÁGUA

O edifício é dotado de instalações para o recolhimento das águas pluviais acumuladas nas coberturas, que após devido tratamento, são armazenadas em uma cisterna individual e podem ser utilizadas em lavagens, serviços de jardinagem, no sistema de aspersão d’água e nas descargas dos vasos sanitários. Estudos demonstram economias possíveis de até 90%. Logo, a economia obtida ao longo do tempo amortiza o investimento nestes tipos de recursos.

ESGOTO

Através de biodigestores, é possível o recolhimento dos esgotos e através de processos anaeróbicos obtem-se a produção de gás que pode ser utilizado na cozinha. Os esgotos que não puderem ser aproveitados serão lançados na rede existente.

LIXO

O lixo proveniente do edifício será separado e recolhido pelas entidades competentes, de modo a passarem pelo processo de reciclagem e assim assegurarem um ciclo de vida mais longo para as matérias-primas. A locação da cozinha permite a concentração de todas as circulações de serviço a nordeste do edifício, facilitando a remoção de resíduos (e também a entrada das matérias-primas), através da entrada de veículos de serviço pela lateral do edifício.

DESEMPRENHO ENERGÉTICO

O potencial de insolação será aproveitado para um sistema econômico alternativo de geração de energia como coletores solares para o aquecimento de água.
Através da criação de clarabóias e sheds, a iluminação natural é privilegiada a fim de reduzir a utilização de energia para a iluminação artificial.
A utilização de sistemas inteligentes de iluminação como sensores de presença também contribuirá para a redução do consumo de energia.

AR CONDICIONADO

O sistema de ar condicionado do edifício será constituído por duas centrais resfriadoras de água com condensadores a ar, instaladas na lateral do edifício, com o objetivo de atender a espaços como o auditório, a área de exposições, reserva técnicas e outros. É importante destacar que estes sistemas de centrais resfriadoras de água com condensadores a ar também possibilita a redução dos custos com energia.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Sara Jorge
Gustavo Rosadas
Ana Paula Polizzo
Gustavo Martins

 

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