2000

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PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA DA 4a REGIÃO

 


 

PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA DA 4a REGIÃO

Porto Alegre - RS - 2004

cliente: Procuradoria Regional da República da 4a Região

área construída: 13.800 m²

 


 

A reflexão que direciona a concepção do projeto para o edifício sede da Procuradoria Regional da República da 4o Região de Porto Alegre baseia-se no entendimento de que a função principal deste órgão trata de defender os interesses da União. Este fato traduz a direta relação deste órgão com o interesse social e com a população.

Sabe-se que o Ministério Público tem a missão de garantir o bom funcionamento da sociedade, seguindo os princípios da honestidade, da democracia e, acima de tudo, da justiça. Assim, a proposta arquitetônica para o edifício sede da Procuradoria Regional da República busca interpretar o sentido fundamental da “democracia” em um contexto político-social.

Esta síntese justifica o caráter claro, aberto, visível e acessível do edifício que propomos. Desta maneira, sua configuração arquitetônica e urbanística, deve estimular a empatia entre o Ministério Público e o cidadão, aproximando-os. Buscou-se, então, a criação de uma esplanada suspensa que liga a rua Otávio Francisco Caruso da Rocha com a futura praça cívica. Esta esplanada permite a livre passagem de pessoas e estimula o caráter do espaço como permanência sem interferir na organização funcional dos ambientes do programa da própria Procuradoria. De maneira geral, então, esta praça suspensa caracteriza-se como um prolongamento do espaço urbano-público, e torna-se o principal partido adotado para a configuração do novo edifício.

Assim, a esplanada, que conecta a cidade ao interior da quadra, representada pela praça-cívica, divide visualmente dois elementos chaves da organização espacial de nossa proposta: o primeiro formado pelo acesso público do edifício e estacionamento, e o segundo formado pelos pavimentos corridos.

O volume formado pelos andares tipo é entendido como um objeto monolítico e transparente, que se abre para os quatros lados do terreno, sem caracterizar uma hierarquia entre as fachadas.

Dois outros pontos fundamentais para a definição do partido do projeto são a volumetria e a gráfica das fachadas. A volumetria é resultado de estudos de inclinação e incidência solar, visando a proteção das fachadas e diminuição da quantidade de calor provocada por radiação gerando uma racionalização do consumo de energia. A gráfica da fachada é fruto do uso de brises predominantemente horizontais e brises verticais na fachada sul, evidenciando sua função relacionada à sua disposição no volume do edifício.

Implantação

A implantação do edifício cria grande relação com o entorno, uma vez que toda a área é formada por grandes quadras e edifícios implantados em centro de terreno, uma herança do Plano Diretor de notória influência Modernista. Conseqüentemente, os afastamentos criados entre os terrenos formam passagens públicas e permitem fácil acesso ao centro de quadra. Face a isto, optamos pela implantação total do embasamento do edifício no terreno, e sua parte superior, mantendo as características comuns aos edifícios do entorno, caracteriza-se também como uma praça de passagem de livre e fácil acesso ao público.

Este embasamento funciona como uma barreira natural de ventos, uma vez que este local situa-se numa península, próxima ao Lago Guaíba, com grande abertura sem obstáculos para o Sul. Criou-se também, uma suave barreira paisagística formada por Ipês, que são locados no passeio frontal à rua Otávio Francisco Caruso da Rocha.

A implantação da edificação permite o claro aproveitamento da ventilação e iluminação natural. Os afastamentos e a praça suspensa intensificam o conforto térmico ao propiciar livre ventilação.

A Praça Suspensa

Por ser uma continuidade do espaço público da cidade, ela deve ser explorada como espaço físico, deve ser modificada e vivida pelas pessoas que por ali passam, uma vez que é exatamente a relação das pessoas com os arredores, com as seqüências de elementos que se sucedem ao chegar ao destino, que materializam a memória.

Esta praça poderá aglomerar várias funções, desde o uso como foro político ao ar livre, espaços de reuniões, a lugar de descanso, da reunião da coletividade. A praça sempre representou o lugar mais representativo da urbanidade por excelência, onde ocorrem os mais importantes acontecimentos da vida em comum.

Funciona como uma espécie de imagem pública em que o habitante se reconhece enquanto homem livre.

Acessibilidade

Desde os tempos mais remotos, democracia seria o governo de todos os cidadãos, ou seja, de todos aqueles que têm direitos. Direitos esses que procuramos refletir através da arquitetura proposta. Identificamos sensorialmente os espaços, texturas e formas que são legíveis na disposição. Rampas conectam a cidade com as partes públicas ou privadas do edifício. A paginação do piso orienta veículo e pedestre, formas arquitetônicas indicam os espaços e os revelam. A comunicação de todo o edifício se forma por sua clareza de definição volumétrica e de intenções sensoriais. Para isso os materiais são especificados de maneira a adotar clareza e economia na especificidade.

Os acessos ao edifício serão feitos por rampas que dão continuidade ao piso externo, unindo-se ao espaço urbano. Em um nível semi-enterrado, a -1,30m, o acesso principal à edificação rasga longitudinalmente o embasamento do edifício que ocupa toda a superfície terreno. Desta maneira, é marcada a entrada pública do edifício da Procuradoria através da intersecção entre a esplanada suspensa e o pavimento de estacionamento no subsolo.

O acesso aos elevadores e demais espaços públicos do edifício são controlados por uma grande recepção, cuja função se faz pela tradução dos fluxos necessários e usuais do edifício.

O edifício possui duas escadas de incêndio, além de seis elevadores para 16 pessoas. Estes elevadores estão localizados, de maneira a tornar a orientação dos fluxos nos andares de maneira lógica e funcional. Além disso, vale a pena ressaltar que todo o edifício está adaptado ao uso e acesso de deficientes físicos.

O Programa

Os itens do programa foram divididos utilizando como premissa a inter-relação entre eles e o acesso ou não de público externo.

A princípio, um grande saguão de acesso recebe as pessoas. Este saguão busca trazer a amplidão da grande praça suspensa para dentro do edifício. A partir deste ponto as funções se dividem, e os funcionários e visitantes se direcionam. O auditório, localizado próximo ao saguão possibilita fácil identificação e acesso independente do resto do edifício em caso de eventos onde será recebido público externo.

Nos pavimentos tipo, é mantido um núcleo central formado por circulações verticais, banheiros, copa e reprografia. Estes são estrategicamente localizados a fim de reduzir ao mínimo a circulação necessária e maximizar o espaço ininterrupto do andar. No restante dos pavimentos, as funções são organizadas e se dividem através da utilização de paredes de dry wall, seguindo uma modulação racional. Esta modulação possibilita ao máximo um espaço flexível, tornando-se fácil modificar a localização dos ambientes, além do possível aproveitamento das paredes desmontadas em outros locais.

Na cobertura localizam-se o restaurante, com um grande terraço, de onde se poderá ter acesso à vista do Rio Guairá. Além disso, localizam-se também neste pavimento as áreas destinadas ao estar e refeitório de funcionários.

Fachadas

Propomos uma fachada inteligente, composta por brises horizontais nos lados Norte, Leste e Oeste e brises verticais no lado Sul. Eles formam uma pele de densidade variável e eficácia na proteção, conforme a necessidade e com base nos estudos de insolação.

As fachadas são estruturalmente independentes, com esquadrias em alumínio e madeira que fixam vidros transparentes. Os brises são fixados por cabos de aço tensionados presos no perfil horizontal externo da esquadria. Desta forma, criamos um grande contraventamento estrutural, tão intenso nos elementos, que se torna visualmente homogêneo.

Eficiência energética do prédio

Porto Alegre possui uma grande variação climática, o que exige aquecimento da edificação no inverno e resfriamento no verão.

Segundo a Carta Climática da cidade em 22,4% das horas do ano há conforto térmico, em 25,9% o desconforto é causado pelo calor e em 51,6% pelo frio.

Como já foi dito, a insolação e o clima são fatores determinantes na forma da edificação, ao mesmo tempo em que se procura dar a maior visibilidade possível dos ambientes para o exterior, e permite uma intensa iluminação natural. A inclinação da face norte e sul proporcionam um sombreamento e diminuem a quantidade de brises necessária.

As fachadas envidraçadas são protegidas por brises horizontais de alumínio, que têm sua densidade determinada pelo ângulo de incidência do sol durante o período mais quente do ano, e ao mesmo tempo permite a entrada do sol no período mais frio.

Na fachada sul foram utilizado brises verticais para impedir a entrada dos raios solares no início da manhã e no final da tarde, o que se justifica para que não haja degradação dos equipamentos e mobiliários do prédio. Os brises, também tem função de isolantes acústicos.

As esquadrias das fachadas são compostas de perfis de alumínio na vertical que sustentam perfis secundários de madeira, onde são fixados os brises e os vidros, formando uma estrutura que protege a transmissão de calor por condução.

Os conjuntos de brises são individuais para cada pavimento fixados nos perfis de madeira da fachada e por cabos de aço, assim minimizando os custos com estruturas separadas e facilitando a manutenção. A decisão por utilizar brises fixos também se deve a baratear o custo inicial e de posterior manutenção. Além disso, o custo inicial da instalação dos brises é recuperado em 4 anos com a economia gerada na diminuição do consumo de energia elétrica pela diminuição do uso do ar condicionado.

Os pavimentos de escritório possuem um forro de grelha, pois as lajes aparentes são ótimos acumuladores térmicos, propiciando reserva de massa térmica tanto no inverno quanto no verão. Este tipo de forro também possibilita um maior fluxo de ar, a fácil manutenção das instalações e da colocação de novas luminárias.

O sistema de ar condicionado é composto por chillers a água localizados no pavimento de acesso e por fan coils nos demais pavimentos. A divisão dos aparelhos de fan coils em cada pavimento pode ser determinada de acordo com a necessidade, através da distribuição de grandes aparelhos para áreas maiores e pequenos aparelhos para salas individuais, tentando evitar ao máximo a utilização de dutos de ar, que são causadores de doenças e exigem manutenção periódica.

As lâminas dos pavimentos são atravessadas por um grande vão de iluminação e ventilação natural, permitindo iluminação e ventilação cruzada intensa, minimizando a necessidade de iluminação artificial durante o dia. Durante o período frio, o vão pode ser isolado, pois é dotado de esquadrias.

O edifício é dotado de instalações para o recolhimento da água resultante da condensação dos aparelhos de ar condicionado e da água de chuva acumulada na cobertura, que, após ser devidamente tratada, é armazenada em uma cisterna individual e pode ser utilizada em lavagens, serviços de jardinagem e nas descargas dos vasos sanitários.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Ana Paula Polizzo
Gustavo Martins

 

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