2000

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PARQUE OLÍMPICO DO RIO DE JANEIRO

 


 

PARQUE OLÍMPICO DO RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro - RJ - 2011

cliente: COT / Prefeitura Rio de Janeiro

área construída: 1.180.000 m²

 


 

INTRODUÇÃO

O Parque Olímpico da Barra da Tijuca deve ser um dos locais das principais instalações esportivas para as olímpiadas de 2016, e também deve ser um legado para a cidade. As instalações esportivas que devem ser implantadas no terreno para os jogos olímpicos já foram pré-definidas, sendo necessário adequa-las da maneira que consideramos mais adequada. Resta determinarmos o que deveria ser um verdadeiro legado que este projeto pode oferecer para a cidade.

Acreditamos que o maior legado gerado pela implantação do Parque Olímpico na Barra da Tijuca é o da expansão, e inovação nos sistemas de transporte da cidade, principalmente na região oeste. Este investimento se faz necessário para a viabilização das competições, mas após as olimpíadas de 2016, permitirá um desenvolvimento mais adequado desta região da cidade.

Nossa proposta parte de 3 conceitos norteadores:

– Conceito da criação de um novo paradigma urbanistico para a região, baseado na sustentabilidade e aproveitamento da água – A ILHA OLÍMPICA – onde a Lagoa e os Canais são ampliados e tratados, circundando todo o terreno, criando um cinturão de proteção com apelo estético, diminuição da necessidade de muros e grades.

– Conceito do COT INTEGRADO, onde todas as instalações que serão permanentes se integrem com as instalações já existentes, constituindo um único corpo, uma edificação que concentre todas as necessidades para a consolidação do Centro Olímpico de Treinamento. O legado da maioria das cidades que sediaram as Olimpíadas no passado não continuaram sendo utilizados após os jogos. Esta nova abordagem procura quebrar esta tradição.

– Conceito Sustentável de Intervenção – Preservar as áreas com maior densidade de vegetação, trabalhando o mínimo necessário no terreno e criar um corredor verde, com decks de madeira que não tocam o solo. A arquitetura se adapta as linhas do terreno e as linhas do desenho formado pelas pistas do autódromo.

LOCALIZAÇÃO E PERÍMETRO

O terreno é limitado pela Avenida embaixador Abelardo Bueno ao norte e pela Lagoa de Jacarepaguá ao sul, apresentando panoramas visuais exuberantes da lagoa e dos morros que circundam a região. Assim temos um limite mais urbano, ruidoso, ao norte do terreno e uma extensa faixa linear limitada pela Lagoa, com visibilidade livre de edificações. A forma do terreno, seu entorno imediato foi determinante no traçado da nossa intervenção.

Atualmente o terreno é ocupado pelo Autódromo Internacional Nelson Piquet, mais conhecido como Autódromo de Jacarepaguá que foi inaugurado em 1978 e até 1989 sediou as provas do GP do Brasil de Fórmula 1. A partir de 1995 até o ano de 2004 o autódromo sediou a etapa brasileira do MotoGP. De 1996 até 2000 sediou uma etapa da CART. Para os Jogos Pan-americanos de 2007, o autódromo passou por intervenções para dar lugar ao Complexo Esportivo Cidade dos Esportes. (Fonte: Wikipedia, 19-07-2011)

As delimitações existentes do Parque Olímpico resultam a princípio em um acesso mais forte pela face norte do terreno, limite com a Avenida Abelardo Bueno. A rua que circunda o terreno margeando a lagoa, atualmente é pouco utilizada.

Propomos a recuperação e a ampliação do canal existente que divide a Avenida Abelardo Bueno e o terreno do Parque Olímpico, assim isolando e protegendo o terreno, com passarelas suspensas somente onde é necessário o acesso de pedestres e veículos. Com essa proteção diminuimos a necessidade de controles, grades, e muros, e aumentamos a segurança do complexo.

Nossa proposta é que a rua interna não circunde mais todo o complexo. Apenas um trecho dela permanece, para que durante as olimpíadas seja isolada e funcione como via de acesso de serviço e de atletas. Na conexão entre esta rua e a Avenida Abelardo Bueno será implantado um sistema de controle e segurança. Após os jogos olímpicos esta via será aberta ao público e continuará funcionando como acesso ao COT, mas também funcionará para que o público possa acessar os parques e praças, contando com um pequeno estacionamento.

Haverão algumas baias para chegada do transporte público onde estarão localizadas as passarelas de acesso ao complexo. Também haverá uma passagem de veículos para o Hotel, IBC e MPC e estacionamento. Um afastamento de mais de 40 metros é deixado livre entre as edificações construidas e a calçada da Avenida Abelardo Bueno como previsão para a futura instalação de alguma modalidade de transporte público adicional.

LEGADO HISTÓRICO

Devido a importância que o Autódromo Internacional Nelson Piquet têm para a cidade do Rio de Janeiro, o traçado urbanistico do LEGADO foi inspirado nas curvas de suas pistas, o que volumetricamente pode ser claramente identificado. Ao adotar este tipo de ocupação, também conseguimos preservar grande parte da área ocupada por vegetação atualmente. Estudo de Usos e Ocupação

O Parque Olímpico da Barra da Tijuca ocupará uma área de crescente exploração imobiliária residencial e comercial, mas que também convive com instalações hospitalares, o Centro de Convenções do Riocentro e outros usos industriais e institucionais.

Além de considerar a construção do Centro Esportivo de Treinamento, fizemos um levantamento das edificações existentes e das construções futuras nesta região que podem definir os possíveis cenários de ocupação pelos empreendimentos particulares que podem fazer parte do LEGADO no terreno.

Claramente o terreno escolhido para o Parque Olímpico já é uma área de grande interesse imobiliário que facilmente seria ocupado por empreendimentos particulares. Por este motivo, a implantação de instalações olímpicas NÃO estão trazendo como LEGADO o desenvolvimento desta região. Pelo contrário, está valorizando e aumentando o valor dos imóveis e terrenos, aumentando o padrão da população que habita a Avenida Abelardo Bueno. Devido a este cenário, o LEGADO deve ofertar serviços e condições que estabeleçam um SUBCENTRO para esta região.

Empreendimentos Existentes no Entorno Imediato

RIOCENTRO -> Demanda de instalações comerciais, hoteleiras e transporte;

EDIFICAÇÕES RESIDENCIAIS -> Demanda de instalações comerciais, lazer e transporte;

EDIFICAÇÕES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS -> Demanda de infraestrutura, edificações residenciais e transporte;

HOSPITAIS -> Demanda de Transporte;

População Gerada pelo Empreendimentos do Entorno (Edificações Existentes e Previsões de Lançamentos Imobiliários)

UNIDADES RESIDENCIAIS PADRAO B e C - 216000

UNIDADES RESIDENCIAIS PADRAO D e E - 120000

UNIDADES COMERCIAIS - 33600

INDUSTRIAS - 5000

RIOCENTRO - 28000

HOSPITAIS - 3000

SERVIÇOS - 4000

OUTROS - 2000

POPULAÇÃO TOTAL - 411600

LEGADO RIOCENTRO

Nos anos 80 foi construido no Rio de Janeiro o Complexo de Convenções e Exposições do Riocentro, na Barra da Tijuca, em terreno vizinho ao futuro Parque Olímpico. A prefeitura pretendia competir com o Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo, que havia sido contruido na década de 70. Mas ao contrário de São Paulo, o Riocentro foi implantado em um local ainda inexplorado, longe da área mais densa da cidade – zona sul e centro – além da grande distância dos aeroportos, metrô e principais meios de transporte, hotéis, comércio, etc.. A inviabilidade do Riocentro se tornou de tal magnitude que o complexo foi alugado para a empresa privada GL Events, que planeja investir na área com a construção de hotéis e um shopping center. Dentro desta perspectiva, é de fundamental importância uma conexão do complexo do RioCentro com o Parque Olímpico para que um alimente o outro. Algumas das funções destinadas ao LEGADO devem atender e serem atendidas pelo RIOCENTRO. (Fonte: Artigo "Cidade, tempo e escolhas" – Sérgio Magalhães – Jornal O Globo - 04-06-2011)

Lagoa de Jacarepaguá

O complexo lagunar de Jacarepaguá/Barra da Tijuca é formado por três lagoas principais: Tijuca, Jacarepaguá e Marapendi. Com cerca de 280 Km² de área, a bacia hidrográfica é composta por diversos rios que descem as vertentes dessas montanhas e deságuam nas lagoas, que por sua vez se ligam ao mar pelo canal da Barra da Tijuca. A população total residente em torno da bacia é estimada em aproximadamente 500.000 habitantes, que corresponde a cerca de 10 % do município do Rio de Janeiro.

Na bacia de Jacarepaguá, os efeitos orográficos, a proximidade do mar e direção das massas de ar combinam-se para produzir microclimas e variações de regime pluvial a curtas distâncias. A cobertura vegetal primitiva era constituída por florestas, que ocupavam integralmente o domínio serrano e os morros isolados. Os trechos úmidos das baixadas, representados por várzeas e alagadiços marginais, eram ocupados por brejos, florestas aluviais, matas de restinga (estes nos alagadiços entre cordões arenosos) e mangues. O terrenos não sujeitos a inundação era revestidos por florestas de terras baixas (nas partes adjacentes aos maciços) e comunidades de restinga.

O conjunto de resultados obtidos ao longo de 30 anos revela, em síntese, que o Complexo Lagunar de Jacarepaguá encontra-se sob intensa influência de águas residuárias, ricas em matéria orgânica, oriundas de fontes urbanas e/ou industriais. Além disso, destaca-se a redução do espelho d’água, devido aos aterros clandestinos, à ocupação inadequada da faixa marginal de proteção, e à formação de ilhas por assoreamento.

O transporte de sedimentos, através da bacia hidrográfica, é intensificado em função da degradação da mata ciliar e da erosão nas vertentes dos vales. Além da sedimentação, as condições do complexo lagunar são agravadas por uma intensa ação antrópica local, que contribui para a entrada de resíduos sólidos e líquidos nesse ambiente.

O Complexo Lagunar de Jacarepaguá é um sistema sob impacto antrópico, cuja viabilidade depende hoje, paradoxalmente, de processos de intervenção humana que visem eliminar os aportes externos, de modo a proporcionar a recuperação desse sistema.

Há um risco potencial de contaminação humana através do consumo do pescado ou do contato primário. O problema é agravado por serem os ecossistemas costeiros berçário de várias espécies da biota aquática marinha, muitas de interesse comercial.

(Fonte: Anuário Estatístico da Cidade do Rio de Janeiro, 1992/93 – IPLANRIO)

Na bacia de Jacarepaguá, a vegetação de restinga se encontra fortemente ameaçada pela expansão da cidade. A área de maior extensão encontra-se ao redor da laguna de Marapendi, no interior da APA do Parque Ecológico de Marapendi. Um dos últimos fragmentos de floresta de restinga sujeita a inundação encontra-se nas imediações do encontro da Av. Salvador Allende com a Av. das Américas.

Os manguezais aparecem na forma de pequenas manchas dispersas ao longo das orlas das lagunas de Marapendi, Tijuca, Camorim e Jacarepaguá, e em algumas ilhas.

Outros tipos de cobertura vegetal representados na bacia são as comunidades de afloramento rochoso e as comunidades de ervas invasoras (ruderais). Esta última está presente em profusão na bacia, tanto na baixada quanto nas áreas serranas. São comunidades essencialmente de origem antrópica com “habilidade” em colonizar rapidamente áreas desmatadas.

Para melhorar a qualidade da água nas lagoas a COPPE recomenda a realização de dragagem e propõe a construção de canais interligando as lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca ao Canal de Sernambetiba. A obra propiciaria maior dinâmica, aumentando o fluxo das águas do sistema lagunar, evitando a atual estagnação das lagoas.

[www.pactoderesgateambiental.org - 27/02/2007]

A dragagem e ampliação da Lagoa de Jacarepaguá, bem como a consolidação dos seus limites com vegetação e a despoluição da água são fundamentais para a sua revitalização e utilização. O Parque Olímpico deve amplificar a vocação do terreno como fonte geradora desta recuperação, através do incentivo do uso da Lagoa para pesca, esportes, transporte e lazer. A própria população deve perceber a importância da Lagoa para ter conciencia da importância da sua preservação.

Dentro desta política criamos diversos pontos de conexão com a água:

– Live Site
– Parque Olímpico
– Deck para barcos e transporte
– Deck para eventos, lazer e pesca
– Pontes e Passarelas de conexão
– Boulevard de Lojas e Restaurantes
– Visibilidade da Lagoa pelo subsolo do LEGADO
– Visibilidade da Lagoa por diversos pontos estratégicos e mirantes dentro do COT e pelas edificações do LEGADO.

Também faz parte de nossa proposta o aumento do espelho dágua, canais e córregos, reforçando o nosso conceito da ILHA OLÍMPICA.

As áreas verdes existentes são consolidadas e ampliadas, além de propormos a recuperação da vegetação local.

MODO JOGOS OLÍMPICOS 2016

COT

Atualmente existem 3 equipamentos construidos que serão utilizados nos jogos olímpicos e no COT – A Arena Olímpica, o Parque Aquático e o Velódromo. Nossa proposta preserva as 3 construções mas adapta e integra elas com as outras novas instalações permanentes necessárias, criando um corpo único.

Nossa proposta tem como objetivos:

– Criar um parque olímpico diferenciado e inédito, mas que atenda todas as necessidades do COB e do COI;
– Diminuir os custos com a construção e com a futura manutenção das instalações permanentes;
– Menor quantidade de acessos, diminuindo gastos com segurança e controle. Melhor qualidade dos fluxos, menos áreas ociosas e consequentemente garantindo melhor segurança;
– Acessibilidade Universal – Instalações acessíveis no mesmo nível com necessidade de poucas rampas, exigindo menos escadas e elevadores. Acesso mais fácil, mais rápido e custo reduzido com compra e manutenção de equipamentos;
– Ocupação de menos área do terreno;
– Facilidade na adaptabilidade das instalações para outros eventos;
– Maior integração entre atletas;
– Separação mais eficiente de atletas, serviços e público;
– Instalações prediais e Serviços compartilhados;
– Possibilidade de Ampliações sem necessidade de intervenções externas;
– Melhor Eficiência Energética, menor consumo de energia e menor insolação;

 

 

Além do programa exigido para o COT uma área voltada para o público é importante para gerar recursos para a manutenção do complexo e também para fomentar o esporte para a comunidade, assim destinamos uma área para um Museu Olímpico, lojas temáticas e restaurantes. Além disso o complexo é flexível suficiente que permita a mudança da maioria das funções e ampliações.

O prédio do COT se divide em dois andares principais: o andar superior destinado a circulação de público e o andar inferior destinado a circulação de atletas e serviços. Assim, o deslocamento do público ou dos atletas de um equipamento esportivo para outro é feito sem mudança de nível, pois as lajes estarão interligadas.

O nível inferior é destinado aos atletas e serviços, interligando totalmente os equipamentos esportivos, permitindo o compartilhamento de sanitários, vestiários, estacionamentos, áreas de serviços, escadas, elevadores, salas de treinamento, etc.. Permite também acesso direto as áreas administrativas e aos alojamentos.

EQUIPAMENTOS TEMPORÁRIOS

As instalações temporárias devem ser construidas de modo simples, de fácil e rápida montagem e desmontagem, fundamentalmente estruturas metálicas com coberturas e fachadas de lona tencionada.

Vão ocupar a área central do terreno, de forma que possam ser acessadas pelo lado leste do terreno pelos espectadores, a partir da Avenida Olímpica. Ao lado oeste do terreno há um estacionamento de serviço.

HOTEL / IBC / MPC

A edificação que abriga estas 3 funções está localizada próximo a Avenida Abelardo Bueno para facilitar o acesso e proteger as instalações temporárias dos Jogos Olímpicos. Grande parte do prédio está sobre pilotis, onde serão localizados estacionamentos, pontos de vendas de ingressos, controles e acessos públicos, lojas temporárias para alimentação e sanitários públicos. O pilotis permite contato visual, ventilação e permeabilidade do terreno. Após os jogos olímpicos o pilotis poderá ser ocupado por lojas, e/ou parte pode se transformar numa extenção das praças, podendo comportar eventos, feiras, e exposições.

O Hotel fica na área mais isolada e possui maior número de pavimentos, enquanto o IBC e MPC tem maior área útil concentrada nos 2 primeiros pavimentos para facilitar acesso e integração.

Apesar da preocupação em ocupar o mínimo de área do terreno, concentrando e verticalizando as edificações, no caso do IBC e MPC, a distribuição horizontal é mais favorável, o que justifica a volumetria adotada. A altura destas edificações também foi pensada para não obstruir a visibilidade da Lagoa de Jacarepaguá pelas edificações residenciais existentes, e também para que os pedestres e motoristas que estejam na Avenida Abelardo Bueno tenham uma perspectiva volumétrica no nível da escala humana.

VILA DOS PATROCINADORES

A vila dos patrocinadores será implantada aproveitando os boxes existentes do autódromo. A área entre os boxes terá uma cobertura em lona tencionada e estrutura metélica. Novamente procuramos diminuir a quantidade de demolição e aproveitar as estruturas existentes como preceitos de sustentabilidade. Após os jogos olímpicos a vila será tranformada em um centro de serviços para a comunidade: bombeiros, policia, UPA, correios, centro de reciclagem de lixo, etc...

PRAÇA DOS ESPECTADORES

A praça dos espectadores possui formato triangular, seguindo as linhas guias geradas pela forma do terreno. Ela será parcialmente coberta por painéis-brises modulados de placas foto-voltáicas. A partir da praça dos espectadores surge a Alameda Olímpica, uma grande passarela de madeira que corta todo o terreno até a Lagoa de Jacarepaguá. A partir da AVENIDA OLÍMPICA é possível acessar os equipamentos olímpicos temporários. No final da avenida a passarela se transforma em deck sobra a Lagoa, abrigando pequenas embarcações particulares e a estação para transporte público.

MODO LEGADO

A decisão de qual direção seguir para aproveitar de melhor maneira possível os Jogos Olímpicos para a cosntrução de um LEGADO é complexa e difícil de ser premeditada. Podemos ganhar com o LEGADO benefícios para o turismo, para a economia, infraestrutura, esporte, urbanismo, meio-ambiente natural, cultural, social, comunicações e transporte. Devemos ser cautelosos para que o LEGADO não se torne algo negativo, ao invés de positivo. Neste sentido, e pensando na realizade do Brasil e do Rio de Janeiro, adotamos uma resposta de implantação pretenciosa, mas de manutenção simplificada, sustentável socialmente e economicamente, onde os empreendimentos particulares viabilizarão o setor público. ( Os Jogos de Montreal em 1976, por exemplo, foram muito bem sucedidos, mas ficaram conhecidos como os jogos que tiveram um débito de $ 1.5 Bilhões)

O principal motivo do crescente interesse em sediar os Jogos Olímpicos foi o lucro obtido por Los Angeles em 1984. Este lucro mostrou ao mundo que sediar os Jogos pode ser uma boa opção se for rigidamente controlado. (Verbruggen, H (2003) The IOC, the Olympic Movement, the Host Cities: A Common Legacy, in M de Moragas, C Kennett & N Puif (eds), The legacy of the Olympic Games 1984-2000, International Olympic Committee, Lausanne).

Pensando em transformação urbana, Barcelona (1992) e Atenas (2004) foram os dois melhores casos de cidades que usaram os jogos para ele. Em ambos os casos o foco da transformação foi a zonas costeiras de ambas as cidades, utilizado anteriormente para fins industriais. No caso de Barcelona, soube-se em sua proposta que sediar os jogos estava sendo usada como um catalisador para transformar a cidade. Truno (Truno, E (2003) os legados políticos dos Jogos Olímpicos: Barcelona 1992, em Moragas MDE, Kennett C & N Puif (eds), O legado dos Jogos Olímpicos 1984-2000, do Comitê Olímpico Internacional, Lausanne) destaca , dois dos objectivos prioritários do Comitê de Organização de Barcelona (BOC) foram:

• Para usar os Jogos como um catalisador para o desenvolvimento da cidade;
• Para abrir a cidade para o mar;

No nosso caso, o foco poderia ser a Lagoa de Jacarepaguá, mas, como mencionado anteriormente, este site já tem um grande interesse privado. Este site já é um bom lugar para construir prédios comerciais e residenciais como uma expansão natural da Barra da Tijuca.

BARCELONA 1992 Jogos Olímpicos de Verão

Os Jogos Olímpicos de Barcelona são os jogos considerados como tendo deixado o maior legado para a cidade. Barcelona foi testemunha de uma grande variedade de legados, entre eles estão: (McIntosh, 2003):

• Novas instalações de nível mundial que até hoje continuam a ser utilizadas. Estas instalações também levaram Barcelona a sediar outros grandes eventos mundiais, como o Campeonato Mundial de Natação em 2003;
• Novas habitações através da transformação da Vila Olímpica;
• Os Jogos mostraram a cidade que os setores público e privado podem trabalhar juntos, o que levou a um maior desenvolvimento na cidade, que antes dos Jogos teria sido difícil de alcançar;
• O maior legado que os Jogos deixaram para trás foi a revitalização de toda cidade, ao ponto que Barcelona agora é vista muito bem no contexto europeu.

1988 CALGARY Jogos Olímpicos de Inverno

As Olimpíadas de Inverno de Calgary é um bom exemplo do legado de instalações desportivas, porque cada uma das instalações e locais de desenvolvimento para os Jogos estão sendo usados ainda hoje, em grande parte para fins desportivos (Warren e West, 2003). Este feito é raro nos anais do Movimento Olímpico, que raramente tem visto todas as instalações e locais continuaram a ser utilizados após os Jogos.

A principal razão por trás do sucesso das instalações é que o compromisso com o legado de 1988 foi para ajudar no desenvolvimento de futuros atletas olímpicos de inverno canadense. O COT no Parque Olímpico da Barra da Tijuca deve ser um importante centro esportivo para o Rio de Janeiro, e para o Brasil.

Ao contrário de muitas cidades olímpicas, Calgary também conseguiu abrir muitas instalações para utilização pelo público. O melhor exemplo disso é o uso público da corrida de trenó (bobsleigh), o que torna a pista viável com o público podendo experimentar a sensação de descer na pista durante todo o ano. Calgary é comparada a muitos locais olímpicos (tanto no Verão e Jogos de Inverno), onde locais e instalações são reservados para o uso de atletas de alta performance, que, no final, limita a sua utilização e por sua vez pode levar às instalações a se tornarem um fardo para a cidade .

1984 LOS ANGELES Jogos Olímpicos de Verão

O mais documentado "legado" dos jogos de 1984 em Los Angeles (LA) foi o excesso de dinheiro que permaneceu após a conclusão dos Jogos. O motivo foi que até os Jogos de 1984, obter lucro com os Jogos tinha sido inédito. Assim, quando os EUA anunciou um lucro de $250 milhões (Wilson, 2003), isto representou histoicamente um dos maiores 'legados' deixados pelos Jogos Olímpicos.

Outra "herança" que os jogos de 1984 deixaram foi que ele mostrou ao mundo que Los Angeles era capaz de executar eventos de grande escala. Assim, Los Angeles recebeu as Copas do Mundo Masculino e Feminino da FIFA, bem como dois NFL Super Bowls. Portanto, sediar os Jogos forneceu a cidade benefícios adicionais (principalmente econômicos), porque desenvolveu o perfil de LA no campo de sediar grandes eventos desportivos.

SYDNEY OLYMPIC PARK 2000 – 2007 - LEGADO

EDIFICAÇÕES COMERCIAIS

Em 2006, mais de 80 organizações foram localizados dentro do SOP, como a Samsung e a Acer Computers e empresas locais (SOPA, 2007). No total há mais de 6.000 trabalhadores localizados dentro do SOP, com a maioria desses trabalhadores localizados dentro do parque empresarial (Australian Centre) localizado no terreno. O plano mestre de 2002 visa aumentar o número de trabalhadores localizados dentro SOP. Em 2007 o Commonwealth Bank (CBA) deslocou cerca de 5.000 trabalhadores ao sul da estação ferroviária do Parque Olímpico.

LOJAS

O site contém poucas ofertas de lojas que estão localizados dentro e ao redor dos hotéis Novotel / Ibis. O varejo que está presente no site consiste simplesmente em lojas de alimentos, bebidase um pub. Estas instalações atendem 6.000 trabalhadores (SOPA, 2007) e os visitantes do site. O grande problema da falta de comercio de varejo é durante os grandes eventos no local. Nos eventos esportivos em particular, não há estabelecimentos de comida suficiente para atender a grandes multidões. Por esta razão, estabelecimentos de comida temporários devem ser previstos. A falta de instalações para refeições é um dos pontos mais importantes do motivo dos para os dois principais estádios localizados no site não estarem sendo utilizados. Outros locais com instalações esportivas como o Aussie Stadium e SCG em Moore Park estão localizados próximo a bairros de entretenimento que proporcionam aos seus visitantes um lugar para visitar antes e depois dos Jogos, para diversão, para o alimento ou simplesmente uma bebida. Este problema pode se intensificar quando alguns visitantes fizeram praticamente um dia de viagem para assistir ao jogo. Portanto, como Searle (2003) sugere, o SOP não será capaz de competir com rivais locais, uma vez que não fornece um bairro vibrante. Desde o Jogos Olímpicos de 2000, o SOP encontra problema pela falta de uso, embora nos últimos anos esse uso tem aumentado. (JAMES, Ben. Sydney Olimpic Park – Olympic Legacy or Burden - 2007)

A partir da identificação das duas principais demandas do local: grande concentração de unidades residencias multifamiliares e unifamiliares, e o centro de convenções RIOCENTRO, determinamos o seguinte programa para o legado:

SETOR PRIVADO

ED. COMERCIAIS - 450.000,00
SHOPPING CENTER - 120.000,00
HOTEL - 60.000,00
CENTRO ENTRETENIMENTO - 150.000,00
CENTRO DE ARTES E MIDIA - 80.000,00
COMÉRCIO - 200.000,00

SETOR PÚBLICO

ESCOLA - 6.000,00
POLICIA - 2.000,00
BOMBEIRO - 2.000,00
CENTRO COMUNITARIO - 5.000,00
UPA - 4.000,00
PRAÇA ESPORTIVA - 8.000,00
CENTRO DE SERVIÇOS - 5.000,00
PRAÇAS - 80.000,00

A edificação onde foram implantados durante os jogos olímpicos o HOTEL, o MPC e o IBC, funcionarão respectivamente no legado como HOTEL (com possibilidade de expansão), e pavimentos corridos para escritórios e/ou lojas.

A vila dos patrocinadores será utilizada como um centro de serviços comunitários e públicos.

As edificações do LEGADO devem ser construidas obrigatoriamente em etapas graduais, pois uma alternativa do cenário proposto é que possa haver um crescimento de outras demandas, como a de Hotéis. O planejamento urbano não pode ser considerado algo imutável. Os condicionantes existentes podem mudar até o ano de 2016, e após os jogos olímpicos. Por este motivo nossa proposta abre possibilidades para algumas mudanças de usos, mas deixando claro algumas necessidades básicas da região.

O interesse pela realização de eventos no Riocentro e o crescente número de empreendimentos residenciais na região, por exemplo, podem alterar as demandas e com isso o cenário previsto.

Subsolo

A área do estacionamento projetado no setor oeste do terreno será um subsolo para estacionamento, áreas técnicas, de serviço e carga e descarga.
Aproveitamos o desnível do terreno, e assim o subsolo fica implantado pouco acima da cota zero, acima do nível da água, enquando o nível térreo dos empreendimentos comerciais fica no nível 3 metros.

Como parte das áreas preservadas também se encontra no nível zero, elas se incorporam ao subsolo, mas ficam descobertas, criando um ambiente mais agradável. O subsolo também possui uma grande parte lateral aberta com vista para a Lagoa de Jacarepaguá.

É no subsolo que ficam a subestação e a Estação de Tratamento de Esgoto do complexo LEGADO. Como parte da rede de água dessenvolvida para o projeto, um grande canal cruza o meio do terreno, por baixo da Avenida Olímpica. Parte deste canal é conectado a ETE do empreendimento LEGADO e da ETE do Centro de Treinamento Olímpico, além de colaborar com a coleta das águas de chuvas das áreas de parque do terreno.

Com a decisão de não construir para o LEGADO edificações residenciais, a logística de organização das áreas de serviço, ETEs, subestações, estacionamentos, etc.. pode ser mais concentrada e de mais fácil administração.

Sentimento Carioca

Como parte da criação de um novo subcentro para esta região, propomos espaços diferenciados, que produzam espaços tradicionalmente cariocas, porém dentro de um conceito mais contemporâneo. Dentro deste espírito foram projetados:

Rua Carioca – uma faixa linear de lojas que segue ao longo do setor oeste do terreno, cria um ambiente boêmio, voltado de frente para a Lagoa, com diversos restaurantes, bares e lojas, com mesas ao ar livre. No terraço jardim sobre estas lojas uma praça linear, também com quiosques e mesas complementa este espaço, também permitindo uma vista panorâmica incrível dos morros e da Lagoa ao redor.

Decks – a criação de dois decks, um para eventos e outro para o transporte marítmo, deve ser complementado pela instalação de um centro de comércio voltado para esportes marítmos, pesca, barcos, etc.. A criação de uma identidade voltada para a Náutica incentiva a utilização, a preservação e a recuperação das Lagoas.

Parque Olímpico – O corredor verde formado pelas áreas preservadas devem fazer parte da infraestrutura verde destinada ao lazer dos usuários da região. A criação de um centro de preservação da vida, com estudos voltados para a biologia, botânica, fauna e flora da região.

Sustentabilidade

A principal direção adotada em relação a sustentabilidade foi a de preservar de melhor maneira possível o terreno original. Dentro da Área Total Edificada permitida, buscou-se a maior concentração das edificações, assim foi possível alcançar uma taxa de ocupação do terreno muito menor que a exigida pela legislação.

As áreas ocupadas pelas edificões seguem em planta baixa as linhas das pistas do autódromo, e as áreas sem vegetação. Procurou-se ao máximo evitar regiões onde haja algum tipo de vegetação, ou canais. A idéia é preservar, conservar, e ampliar as áreas com esta vegetação. O mesmo se dá na orla da Lagoa: retirada das ocupações irregulares e recomposição da vegetação. A criação de uma área contínua verde, sem interrupções, é fundamental para a reprodução animal e vegetal. O COT como edificação única e concentrada ocupa uma área menor. A sua volumetria surgiu como continuidade e conectividade dos equipamentos existentes: Velódromo, Arena e Piscinas.

A preocupação com a recuperação da Lagoa de Jacarepaguá é outra direção forte dentro do nosso conceito. Ampliação - Concervação – Recuperação – Conexão.

 

A implantação e distribuição das edificações também foi planejada para que sejam eficientes energéticamente, com proteções solares em todas as fachadas, orientações mais adequadas, sem perder a vista para a Lagoa. Criação de espaços internos verdes. Organização fluida, permitindo ventilação natural entre as edificações, e evitando a propagação do ruído urbano.

Como diretivas fundamentais dentro da sustentabilidade que devem ser adotadas pelos projetos das edificações são:

Utilização de materiais locais com produção de baixo consumo energético e recicláveis: Madeira e Estrutura metálica (onde for possível). Pisos externos naturais com pouca pavimentação. Utilização de pisos intertravados com espaçamentos permeáveis e muitos canteiros para árvores.

Fachada do COT deve ser segura, bem protegida, mas propomos algum tipo de revestimento para as fachadas que seja poroso, que proteja da insolação direta, mas premita a entrada de luz e vento.

Não criamos ruas internas pavimentadas cruzando o terreno. O acesso de carros só será permitido ao longo da Avenida Abelardo Bueno, com acessos as edificações por uma via interna, pelo subsolo e pelo estacionamento superior. Preservamos parte da rua existente atualmente, somente para acesso ao COT e a um pequeno estacionamento público. Consideramos importante o incentivo do transporte publico, bicicleta, e transportes alternativos.

Energia

O processo de dsitribuição e transformação de energia deverá acontecer em algumas subestações distribuidas da seguinte forma:

Subestação / Gerador / Tranformador específico para o COT

Subestação / Gerador / Tranformador específico para as edificações IBC / MPC / Hotel

Subestação / Gerador / Tranformador específico para as instalações temporárias

Subestação / Gerador / Tranformador específico para o conjunto de prédios do LEGADO

Deverá ser prevista instalações para o uso de aquecimento de água solar e como forma de incentivo a produção de energia solar, também será instalado uma grande grelha de placas fotovoltaicas sobre a praça dos espectadores.

Resíduos

A coleta e seleção de resíduos deverá ser feita distribuidamente porém deverá haver um depósito central durante as olimpíadas dentro do COT e após as olimpíadas no subsolo, com acesso próximo ao centro comunitário, onde ser localizará uma cooperativa de reciclagem de lixo.

LEGADO MOBILIDADE

Nossa proposta prevê a construção de duas passarelas de pedestre e uma ponte automotiva.

Uma das passarelas é importante para viabilizar a conexão do complexo do Parque Olímpico com a vila olímpica, o Riocentro e as Instalações Olímpicas próximas. Atualmente o entorno do Riocentro é muito degradado e impróprio para a locomoção de pedestres e ciclistas. Como parte do legado importante fica a integração do Riocentro com o complexo do Parque Olímpico.

A outra passarela no setor leste do terreno faz conexão com a Rua Rachel de Queiroz, incentivando o acesso de pedestres moradores do outro lado da Lagoa ao Parque Olímpico e ao futuro legado. A área do terreno do outro lado da Lagoa se encontra muito isolado, desconectado do bairro, uma rua sem saída.

A conexão viária proporcionada por uma ponte que cruza a Lagoa, conectando a Avenida Abelardo Bueno com a Rua Rachel de Queiroz pode solucionar diversos problemas de fluxo, criando uma via mais fácil para quem vem da Zona Sul e da Barra da Tijuca.

FASES DE IMPLANTAÇÃO

O desenvolvimento do Parque Olímpico após os Jogos deve ser gradual. Os prédios projetados podem e devem ser construidos gradativamente, até mesmo para confirmar se o cenário previsto realmente se consolidará. Planejamos as seguintes etapas de implantação após os Jogos Olímpicos:

• Desmobilização das instalações temporárias desnecessárias
• Utilização das arenas temporárias pela comunidade e eventos
• Investimento na consolidação da edificação existente do Hotel / IBC / MPC
• Investimento na consolidação do COT
• Implantação do plano de recuperação e consolidação da vegetação
• Consolidação do Parque Olímpico com abertura e readequação da via lateral ao COT
• Retirada das quadras de Hoquei de Grama
• Inicio da Construção do Subsolo
• Retirada da arena temporária da piscina
• Término da Csontrução do Subsolo
• Construção do pavimento térreo, com lojas, centro comercial e gastronômico.
• Construção do segundo pavimento com Shopping Center
• Retirada da Arena de Tennis temporária
• Construção da primeira torre
• Construção do centro escolar público
• Construção das torres subsequentes

 

 

Equipe:
Marco Milazzo
Gustavo Rosadas
Pedro Sousa

 

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