2000

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MERCADO MUNICIPAL DE ITAQUI

 


 

MERCADO MUNICIPAL DE ITAQUI

Itaqui - RS - 2003

cliente: Prefeitura de Itaqui

área construída: 3.200 m²

 


 

O principal gesto orientador da proposta foi a idéia de integração entre as diferentes funções programáticas e a estrutura preservada do antigo Mercado Público. Objetivando a criação de uma lingüagem compositiva de unidade, projetou-se uma conexão entre a nova e a antiga edificação, integrando o antigo pátio das carroças e a nova praça de alimentação do Mercado. A rua em questão, anteriormente tratada como uma rua de serviço ao Mercado, tornar-se-á o local de transição entre os dois tempos - o preservado e o novo - materializados pela praça de alimentação e a edificação destinada ao cinema/ auditório, às salas multi-uso e à administração geral.

Para tanto, foi prevista a criação de um átrio com cobertura de vidro apoiada sobre estrutura metálica, unindo os acessos da nova edificação aos novos espaços criados no interior do Mercado, permitindo um novo fluxo, novos olhares, novos usos e novas formas de interação (1).

No corpo principal do Mercado, a nova organização espacial atendeu ao extenso programa proposto, setorizando e organizando seus usos e necessidades (2). Para tanto, foram mantidas, na medida do possível, as estruturas existentes e os eixos compositivos básicos do projeto original. Entretanto, para atender algumas das novas demandas do programa, foram criados, no interior do mercado, quatro novos blocos, abrigando os sanitários masculinos e femininos, as lancheterias e o centro de memória. Faceando a rua da Cavalariça, junto à fachada cega do antigo mercado, duas novas edificações abrigarão, de um lado, as dependências ancilares à cozinha e, de outro, as instalações do cyber-caffè. Todos os blocos construidos contemporâneamente serão afastados - por meio de alvenarias recuadas, iluminadas à noite para evidenciar a intervenção - das construções preservadas, mantendo clara a diversidade das intervenções e enfatizando as suas diferenças.

Do outro lado da rua da Cavalariça estará construído o anexo contemporâneo, abrigando as salas multi-uso, o cinema/ auditório, os sanitários e a administração. Por considerarmos que a principal relevância arquitetônica é, indiscutivelmente, a da arquitetura preservada, o anexo reduz-se propositalmente à uma caixa cuja fachada - uma pele composta por um “sanduiche” de vidros contendo, no seu interior, painéis corrediços verticais de lona tensionada, isto tudo contido por uma estrutura vertical de aço - cria a adequada insulação térmica e guarda a sobriedade plástica desejada. Sugere-se também, para uma melhor visada da implantação do novo “antigo” Mercado Público de Itaqui, o alargamento das calçadas lindeiras ao conjunto, respectivamente, na Rua Independência e na Travessa Domingos Lacroix, até os cinco metros de largura, conformando, juntamente com a Rua Osvaldo Aranha, um pequeno ‘promenade’ arborizado que irá, certamente, valorizar o edifício.

Restauração

Com a intenção de expor claramente as pré-existências e as adaptações resultantes da inserção de um programa contemporâneo na estrutura do Mercado Público de Itaqui, alguns passos metodológicos para a competente restauração da edificação do Mercado devem ser adotados. Sendo este um projeto preliminar, as indicações de dimensionamento serão, forçosamente, aproximadas, já que dependem de prospecção feita no local.

Pelo que se pode perceber nos levantamentos fotográficos e observações “in loco” feitas pela equipe, o estado dos revestimentos e da alvenaria das paredes-envelope da edificação sugerem a existência de infiltrações por capilaridade ascendente e descendente, ocasionando em alguns lugares a perda de matéria do revestimento e, possivelmente, a degradação ou mesmo a perda de matéria na alvenaria. Para a conveniente restauração da estrutura comprometida, sugerimos, em primeiro lugar, a construção - a cinquenta centimetros da face externa do baldrame - de uma vala com aproximadamente um metro de profundidade por trinta centímetros de largura, que correrá por todo o perímetro da edificação. Ao término da abertura da vala, entre a terra bruta e a construção, deve-se arranjar uma superfície filtrante (tipo lã de vidro) para que não penetrem terra ou impurezas na calha. Para o acabamento final desta, as laterais deverão ser executadas com placas pré-moldadas de concreto perfurado e o fundo impermeabilizado, escoando as águas ali recolhidas para a rede de drenagem de águas pluviais. A aplicação desta medida de proteção deverá evitar ou retardar o acontecimento de novas infiltrações por capilaridade ascendente.

O tratamento da materia parietal exigirá cuidados diferentes. Em primeiro lugar, deve-se fazer uma prospecção estereométrica, para a determinação das diferentes camadas de cores usadas na edificação. Este procedimento objetivará, ou a escolha de uma palheta de cores consistente com as anteriores ou, caso a opção seja por uma palheta diferente, a simples e justa preservação da memória da edificação. O segundo procedimento deverá ser a retirada paciente e a substituição de de toda a matéria degradada, objetivando a secagem e dessalinização da alvenaria. Para a agilização deste processo, sugere-se a aplicação de uma “argamassa de sacrifício” de cal e areia que deverá absorver a água e o salitre existente. Até que as paredes se apresentem secas e dessalinizadas, diferentes camadas dessa mesma argamassa deverão ser aplicadas, sucessivamente, para, só então, ser aplicado o reboco definitivo. As paredes internas, quando necessário, receberão o mesmo tratamento para a secagem e a dessalinização, podendo, após a secagem, ser pintadas com as cores especificadas pelo projeto definitivo. Em relação à ornamentação, formas de fibra de vidro de cada um dos elementos decorativos deverão ser executadas, facilitando a sua reposição, caso necessária.

Cuidados especiais deverão ser tomados com a preservação e restauração dos elementos estruturais, sejam eles de madeira ou de ferro fundido. A deterioração de ambas as estruturas pode se dar por diferentes causas, e a cada uma delas corresponde um procedimento de preservação, sendo que só uma pesquisa no local poderá indicar o procedimento adeqüado. Entretanto, depois da aplicação dos diferentes procedimentos - mecânicos ou químicos - de preservação, em ambos os casos deverão ser aplicados os diferentes primers para selagem e posterior pintura, executada preferencialmente à pistola, nas cores especificadas pelo projeto definitivo. O mesmo procedimento deverá ser adotado para as diferentes esquadrias, em ferro e madeira; e para as diferentes folhas de fechamento, também em ferro ou madeira. Para o telhado existente, nos casos onde o seu aproveitamento seja recomendado, procedimentos similares deverão ser adotados, sempre que possível, tanto para a estrutura quanto para as chapas metálicas existentes, evitando a sua mera substituição. Para os pisos, sugere-se a limpeza e restauração dos segmentos executados com ladrilho hidráulico de procedência européia, material que pavimentava originalmente o mercado, assim como os degraus executados em mármore de Carrara. Entretanto, dadas as imposições programáticas, e não havendo razões maiores para a sua preservação, os pisos poderão obedecer as especificações do projeto definitivo. Também de acordo com os levantamentos fotográficos e com as observações “in loco” feitas pela equipe, constatou-se o estado deplorável das calhas e das instalações hidráulicas e elétricas. Para o caso, e levando-se em conta as necessidades programáticas contemporâneas, sugere-se a sua completa substituição.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Ana Paula Polizzo
Gustavo Martins

 

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