2000

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MEMORIAL À REPÚBLICA

 


 

MEMORIAL À REPÚBLICA

Piracicaba - SP - 2002

cliente: Prefeitura de Piracicaba

área construída: 6.917 m²

 


 

O HOMEM EM FOCO

O interesse do estudo de problemas culturais é justamente focalizar o homem como o agente modificador da sociedade em que vive. Para que o homem desempenhe seu papel na sociedade atual é necessário que ele esteja sempre voltado com o olhar para a história.

República brasileira

A independência do Brasil em 1822 inicia um período na história brasileira denominada “Reinado”. A independência dos demais países da América foram conseguidas com lutas e o completo rompimento com as metrópoles, delas resultando, portanto os regimes republicanos. No Brasil, o Reinado não passou de um período de transição em que o absolutismo português se conservou no poder. Essa situação, extremamente instável, tinha que se resolver ou pela vitória da reação portuguesa através da recolonização ou pela consolidação definitiva da autonomia brasileira, o “Estado Nacional”. É esse o resultado que chegamos com a proclamação da República em 1889.

O ideal de um Brasil republicano já era antigo no país. Inspirados na Revolução Francesa, intelectuais aristocratas traçaram os ideais republicanos e lideraram movimentos como a Inconfidência Mineira (1789), a Inconfidência Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1815). Assim no século XIX já se difundia em forma de insurreições o ideário de liberdade.

Observamos no final do século XIX um crescimento dos partidos republicanos e paralelamente o desenvolvimento da chamada Questão Militar. Caberia aos militares o ato de 15 de novembro de 1889 e seriam eles os primeiros presidentes, ficando no poder até 1894. A formação da república no Brasil foi assim um golpe militar que não mudou a essência das relações sociais.

Segundo alguns propagandistas republicanos entre eles Aristides Lobo, o povo assistia bestializado ao movimento das tropas do Exército que iriam proclamar a República. Sem compreender o que se passava, o povo, que deveria ter sido o protagonista maior da República, pensava tratar-se apenas de mais uma parada militar. E se isso surpreendia ao povo é porque na verdade tratava-se da implantação de um sistema de governo que se propunha fazer exatamente o contrário.

A república assim criada não dava os direitos de cidadão a todo o povo. Apenas 2.2% da população total possuía um dos requisitos básicos da cidadania, o direito de voto. Grande parte da população ficava privada de ingressar na sociedade política.

É neste ambiente que assume no ano 1894 Prudente de Morais como primeiro presidente civil da República. A sua política cria uma estabilidade financeira e cambial, basicamente através da preocupação com a cafeicultura de São Paulo. Este vínculo com a aristocracia ainda não faz aflorar os direitos de cidadão para a maioria da população.

Nos primeiros anos na consolidação da República observamos vários movimentos populares como o Movimento de Canudos, a Guerra do Contestado e também o Movimento operário iniciado com a fundação do Partido Operário Brasileiro em 1893. Estes movimentos revelaram iniciativa da população mesmo sendo liderado por intelectuais. Mas em seguida registramos uma nítida falta de participação do povo na política do país.

E até hoje a postura é a mesma. Pode se observar uma inércia em grande parte da população culpando o governo pela situação.

Mas na verdade somos nós a República, e a República vive através da nossa participação. Temos o direito de uma livre opinião, mas temos também a obrigação de ter uma opinião, e de declará-la. Temos a obrigação de controlar o que os por nos eleitos fazem com o poder que demos a eles. Temos a obrigação de participação.

O Homem no Foco

Nosso memorial em Homenagem à República se dedica a este tema, coloca o povo no centro, faz o visitante ser o memorial. Através de instalações que tornam o visitante objeto de exposição, queremos com que as pessoas reflitam o seu papel na Sociedade, seus direitos e deveres civis. Queremos homenagear também o povo por toda a sua participação já realizada na história da nossa república.

A nossa proposta para o memorial é um espaço público marcado pela interatividade. Concebemos um espaço, onde o visitante estuda, discute, reflete, também se diverte e consome, afinal participa. O princípio da participação determina o ambiente, faz as coisas acontecerem. A ação das pessoas modifica as impressões do espaço.

Instalação urbana

Através do memorial pretendemos interpretar a república como base para o exercício da cidadania. Seguindo este conceito oferecemos uma instalação urbana que proponha várias atividades. O Memorial se insere no contexto urbano, sendo em processo de revitalização o centro da cidade de Piracicaba.

O programa do Concurso já prevê a implantação de atividades culturais (Biblioteca, Auditório e Exposição) e gastronômicas (Restaurante, Lanchonete). Reforçamos este programa com uma concentração destas atividades ao redor de uma praça, organizadas em duas edificações que junto com a implantação da nova creche definem um espaço público. Estas edificações se revelam permeáveis para atrair as pessoas a entrarem e participarem do que acontece na quadra.

Memorial

O memorial é formado por duas partes: a parte educativa, que informa e chama a refletir a história, e a parte participativa, onde o visitante se torna o objeto de interesse.

A parte educativa possui várias características. A primeira a destacar é o desenho de faixas no piso da praça, que iniciam nas extremidades e conduzem o visitante ao centro. Elas contam a história da República através de texto e imagem. Não existe uma seqüência a seguir, o visitante se orienta dentro de um espectro de informações. Existem ainda cabines de ensino, elementos distribuídos na praça, onde se encontram maiores informações em forma de vídeo, tela e objeto.

Ao entrar na praça, o próprio visitante se torna o memorial. Câmeras filmam os acontecimentos no ambiente e simultaneamente as imagens são projetadas nas paredes da praça. O visitante acaba se observando, entendendo que ele é o objeto a contemplar. Uns brincam com sua imagem outros observam os outros. Mas todos percebem a sua importância na imagem do memorial. Luzes são projetadas nas três cores primárias projetando assim as sombras das pessoas nas paredes. A presença das pessoas muda a percepção do espaço e cada pessoa tem uma influência diferente no ambiente. As pessoas fazem o memorial viver.

E um aspecto importante a ser destacada é a qualidade de espaço do memorial. Recebem destaque os espaços culturais e de gastronomia, atraindo as pessoas para este lugar de cultura e entretenimento.

Cabe mencionar que o memorial mostra uma preocupação com o deficiente físico. Além da acessibilidade em todos espaços e edificações através de rampas e elevadores, as instalações atendem todos os sentidos para que todos os visitantes tenham a mesma visão da instalação. As informações contidas nas faixas no piso se encontram também em escrito em braile nas superfícies laterais da praça. Utilizamos também o recurso de som, que reage a presença das pessoas. E a qualidade de entretenimento do memorial propicia um local de encontro que assim oferece possibilidade de intercambio entre as pessoas.

Creche A nossa proposta para o memorial prevê a demolição da atual creche EMEI Dona Mimi para permitir um melhor aproveitamento da quadra e para criar um novo espaço adequado ao uso da creche. Prevemos a localização de uma nova creche na parte mais alta do terreno. Assim se cria uma distância entre o memorial e a creche e aproveita-se a inclinação existente para definir os diferentes usos e acessos.

A creche é organizada em dois pavimentos com ligação por uma grande rampa. A inclinação da Rua Saldanha Marinho permite o acesso aos dois níveis a partir da rua. Ambos andares tem grandes áreas externas de recriação voltadas para o interior da quadra oferecendo assim silêncio e segurança. A administração composta por secretaria, sala de professores, coordenação e direção é organizada em um terceiro pavimento.

As Edificações

O memorial é formado por duas edificações principais, que juntamente com a praça e suas instalações oferecem os espaços funcionais do memorial. No térreo situamos um restaurante e uma biblioteca, duas funções que entram em diálogo com a praça pela continuidade dos fluxos de pessoas que ali circulam. No primeiro pavimento situamos um auditório e um átrio que pode ser utilizado para exposições e eventos. Estes espaços possuem um uso mais pontual e específico e por isso se encontram elevados.

As edificações foram dispostas respeitando a declividade do terreno, criando alguns cortes para a melhor integração dos espaços. Criamos também uma escadaria que pode ser utilizada como arquibancada observando os eventos que acontecem na praça.

Contexto

É nossa intenção que esse memorial traga as lembranças da nossa história e as coloque em um contexto atual, expressando com isso a importância de cada um na sociedade. Neste panorama interpretamos a história como ensinamento em constante atualização. Olhar o passado não significa uma visão melancólica, pois um mergulho na ancestralidade deve sim proporcionar condições de tirar dela o importante e burilar com consciência social e política o que pode ser modificado. Assim o homem deixará de ser produto de uma história desvinculada do passado estático, visto que as sociedades devem estar em constantes mutações.

 

 

 

 

 

Equipe:
Marco Milazzo
Ana Paula Polizzo
André Lompreta
Gustavo Martins
Thorsten Nolte

 

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