2000

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CREA CEARÁ

 


 

CREA CEARÁ

Fortaleza - CE - 2001

cliente: Crea Ceará

área construída: 5.040 m²

 


 

O desenvolvimento do projeto para o edifício sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Ceará se fundamenta em cinco princípios básicos: a implantação, a função, a forma, a técnica construtiva e o uso de materiais.

Baseando-se nestes cinco fatores, buscou-se uma solução arquitetônica que primasse pelo conforto e pela estética contemporânea aliados às suas funções, proporcionando espaços que se adequem perfeitamente às necessidades do profissional filiado a esta entidade.

O PROJETO

Implantação

A implantação do edifício se deu através da percepção dos aspectos morfológicos e climáticos do terreno e entorno imediato, havendo uma grande preocupação, portanto, com a incidência solar e a ventilação natural.

Sua locação no terreno também foi definida de modo a possibilitar o desenvolvimento da obra em fases, onde, a cada etapa de construção, uma parte da edificação existente fosse demolida, permitindo o funcionamento do edifício existente durante a obra.

O edifício foi locado no centro do terreno, transversalmente ao mesmo, privilegiando o acesso de pedestres através de uma praça de chegada, com tratamento paisagístico que integra as partes que conformam a edificação.

O projeto é definido por dois blocos paralelos que abrigam todas as funções necessárias ao seu funcionamento e um bloco que se destaca transversalmente em relação aos outros dois para o auditório e área de exposições.

A contextualização do edifício com o entorno existente se dá de maneira harmônica, uma vez que sua altura e volumetria são condicionadas a uma melhor adequação ao sítio, tendo em vista o gabarito em seu entorno mais imediato, assim como a escala do pedestre. Os blocos principais, de maior altura, possuem quatro andares (16 metros) e possuem um afastamento de 24 metros da calçada. O bloco composto pelo auditório e área de exposições é mais baixo em relação aos outros dois, com sete metros de altura, e possui um afastamento de dez metros da calçada.

As áreas destinadas a estacionamento se localizam nos fundos e parte da lateral do sítio, com arborização ao longo, formando junto aos fundos de lote das edificações vizinhas uma área livre e arborizada permitindo assim a manutenção e preocupação com o micro-clima já estabelecido no centro de quadra.

 

 

Programa

A implantação do edifício condicionou a setorização de suas funções, dispostas de forma a interagir entre si por meio de elementos de circulação como elevadores, escadas e passarelas criando uma dinâmica de volumes internos que permitem situações diversas de circulações e espaços de estar.

As áreas de convergência e maior concentração de pessoas (setores de uso publico), localizam-se no térreo e primeiro pavimento (mezanino), onde a arquitetura proposta condiciona e distribui o fluxo dos visitantes entre os dois blocos principais.

O bloco posterior, de lâmina mais estreita, é apoiado sobre pilotis permitindo áreas de estacionamento sob o mesmo, maior permeabilidade e conforto térmico.

Forma

A forma ortogonal do edifício proporciona clara setorização e uma organização linear de suas funções, de suas circulações predominantes e da sua implantação no lote.

O projeto combina dois blocos formalmente separados por espaços vazios, e um terceiro transversal a estes sendo que a articulação entre eles ocorre por meio de circulações e passarelas. A importância deste espaço de ligação entre os dois blocos se dá pela utilização dos elementos de circulação vertical, compostos pelo elevador e a escada.

Essa configuração proporciona iluminação natural e ventilação para o interior da edificação, assim como uma comunicação visual entre os pavimentos, gerando permeabilidade e relação entre interior e exterior.

A percepção das diversas funções do edifício se da pela dissociação dos volumes que o configuram, fazendo-se perceber também a linearidade destas funções.

Fachadas

As condições climáticas locais determinaram o tratamento diferenciado das fachadas, com uma maior riqueza visual, ritmo e movimento de cheios e vazios. As variações no tratamento dos revestimentos ajudam na orientação e criam especificidades na estrutura geral.

Dependendo das funções internas e da orientação, as fachadas podem ser opacas, transparentes ou ventiladas. As mais expostas são estratégicas para maximizar o uso de iluminação e ventilação natural, incluindo varandas onde há salas com permanência de pessoas.

As fachadas apresentam um módulo de fechamento nas áreas de varanda que são compostos da seguinte forma: parte inferior formada por guarda-corpo estruturado em aço galvanizado com grelha metálica e peitoril de madeira; parte intermediária formada por brises móveis horizontais de alumínio devido à incidência solar e a parte superior composta por venezianas de madeira permitindo a circulação de ar. Estes módulos são utilizados nas salas, minimizando a utilização de aparelhos de ar condicionado.

As esquadrias internas também serão de madeira com fechamentos em vidro e venezianas.

Parte dos volumes externos são revestidos com chapa corrugada de alumínio com isolante térmico, acentuando sua inserção no conjunto arquitetônico, através de diferentes efeitos visuais ao longo do dia.

Conforto Ambiental

O acesso de pedestres é demarcado por pisos de pedra fria e tratamento paisagístico composto por espelhos d’água, vegetação de variados portes e decks de madeira, proporcionando espaços climatizados em uma cidade que apresenta elevada temperatura média anual.

Este tratamento também é utilizado nas áreas de circulação vertical a fim de proporcionar a mesma qualidade térmica no interior da edificação, assim como a utilização de revestimentos cerâmicos de resistência variada no piso e pintura nas paredes.

Técnicas Construtivas

O edifício existente será totalmente demolido, não havendo aproveitamento de sua estrutura. A nova estrutura proposta utiliza lajes em concreto, pilares e vigas metálicos com perfis “I”, inseridos em uma malha modular de 1,25m x 1,25m e seus múltiplos, definindo os espaços internos e externos do projeto, orientando estruturas, circulações, lay-outs internos, aplicação de materiais, etc.

A estrutura proposta é independente, de modo a proporcionar diversidade de setorização e facilidades futuras com reformas e manutenção. Para utilização de estrutura metálica foram considerados alguns aspectos, mais especificadamente, a agilidade construtiva tendo em vista a transição do edifício existente para o novo.

Os pilares em “I” dissociados das paredes são envoltos por um revestimento metálico circular, trazendo leveza à sua forma.

 

Cobertura

Para a cobertura será utilizada laje com telha de fibra vegetal. As áreas com incidência de luz natural são cobertas por clarabóia de estrutura metálica e vidro e nas áreas onde se localizam as câmaras, sua cobertura é do tipo “shed”, que permite, além de iluminação, circulação de ar.

Materiais

Os materiais adotados visam estabelecer uma relação formal entre o novo edifício e seu entorno imediato fazendo referência à arquitetura e conhecimentos técnicos locais, trazendo ao edifício uma linguagem contemporânea marcando seu tempo e espaço.

Fases de Construção

Inicialmente será demolida parte posterior do edifício existente e será iniciada a construção do bloco dos fundos. Com o fim da construção, este bloco será ocupado e o edifício existente será desocupado e posteriormente demolido para a construção do bloco da frente.

A cidade deve estar constantemente buscando sua identidade, e isto se dá de diversas formas, entre elas, através de sua arquitetura. Com a diversidade de materiais e técnicas construtivas, devemos olhar para o interior deste país que apresenta grande riqueza de matérias e culturas e tirar o máximo proveito do que pode nos oferecer.

“A técnica deve ser usada não somente com o sentido de se obter melhor padrão de projeto e execução, mas com a clara noção de que por meio dela teremos obras mais simples, duráveis e, principalmente, menos onerosas.”
Engenheira Paula Soares

 

 

Equipe:
Marco Milazzo
Ana Paula Polizzo
André Lompreta
Thorsten Nolte
Gustavo Martins

 

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