2000

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CENTRO DE INFORMAÇÕES DO COMPERJ

 


 

CENTRO DE INFORMAÇÕES DO COMPERJ

Itaboraí - RJ - 2008

cliente: Petrobrás

área construída: 6.400 m²

 


 

A busca por novas tecnologias nacionais na indústria deve ser tratada como parte de um conjunto de valores fundamentais da sociedade contemporânea. Dessa maneira, os edifícios que abrigam as atividades vinculadas a estas entidades relacionadas aos estudos tecnológicos têm o dever de incorporar e traduzir estes valores. A materialização destes no projeto de arquitetura não se dá através de meras posturas casuais nem de conseqüências dos novos tempos, mas através de uma atitude de projeto que seja propositiva e que redefina os destinos de uma determinada região. Certamente, este é o caso do Centro de Informações da Comperj (CI).
Devemos, portanto, propor um edifício que responda às necessidades dos seus usuários da melhor maneira possível e que seja referência para a sociedade. Um edifício que traduza o vigor e o avanço tecnológico através da austeridade e simplicidade formal. A suave composição da paisagem formada pelo sítio de São José de Itaboraí somado à presença dos vestígios das ruínas do Convento de São Boaventura, do Campanário e da antiga vila, orienta a implantação do Centro de Informações da Comperj e sua importância na paisagem. Esta é reforçada através da valorização dos eixos visuais que definem de maneira marcante a edificação do CI como porta de entrada do complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, sem desqualificar ou ferir a história ali representada pelas ruínas, mas ao contrário, criando uma composição harmônica de elementos arquitetonicamente diferentes, mas que dialogam entre si.
O Centro de Informações se estende no sentido leste – oeste, com o objetivo de atender às necessidades ambientais de orientação solar e do sentido dos ventos (norte e sul), mantendo sua expressão e representatividade. É assim, na sua simplicidade, um elemento monolítico que apresenta para o lugar sua plenitude, e dimensão arquitetural com elegância e sensibilidade.
Ao longo dos acessos ao complexo, o edifício é lentamente descortinado se apresentando à paisagem. Suas “camadas” vão sendo decifradas, funcionando como um conjunto de véus que instigam a curiosidade e excitam o desejo de conhecer o edifício.

Implantação

A presença das ruínas da antiga vila inspirou a implantação no novo edifício. Assim, a via de penetração do CI foi retificada de maneira a conduzir o olhar do visitante, criando um eixo visual cujo ponto focal leva às ruínas do campanário. Ao longo deste eixo o novo edifício surge sendo emoldurado pelos monumentos preexistentes e sendo apresentado ao visitante por sua praça cívica que avança sobre um espelho d’água e que rebate a imagem do novo projeto tornando-o leve e instigante.

Esta via se estende até o final do edifício dividindo-se em acesso ao estacionamento e acesso de serviço do CI. Ela contorna um talude, aproveitando a topografia natural do terreno, e, através da criação de uma zona verde, o estacionamento não tem contato visual direto com o edifício, evitando sua exposição ao complexo Petroquímico sem obstruir a visada do CI. Esta postura aproximou a área de estacionamento do CI, evitando-se assim, longas caminhadas ou transportes alternativos para acessar as dependências do novo edifício.

O terreno

O partido arquitetônico adotado estipula novas relações com a topografia existente através da implantação do edifício no sítio, assumindo um novo diálogo com o entorno. Portanto, a nova topografia é um importante ponto de interesse na configuração da paisagem que passa a ser entendida como uma contribuição à natureza e aos vestígios históricos existentes.
A topografia da área não só racionaliza os custos da construção como aperfeiçoa de forma evidente o diálogo da edificação com o lugar, através da definição da relação de apropriação do território, gerando pisos e planos e dando identidade ao sítio. O terreno é rebaixado criando situações diversas de uso e novas relações espaciais com o conjunto edifício-paisagem.

CI+Parque Arqueológico – Novo e Antigo

O Centro de Informações do COMPERJ e o Convento São Boaventura

Para não deixar de citar dados históricos, lembraremos que o Convento São Boaventura remonta a meados do séc. XVII, sendo o 5º convento franciscano a ser implantado no Brasil. Sua configuração inicial foi alterada quando da reconstrução empreendida no séc. XVIII e sua ruína se inicia com o abandono a partir de meados do séc. XIX.
O convento estava inserido no contexto urbano da Vila de Santo Antônio de Sá, segunda mais antiga vila do recôncavo da Guanabara, tendo alcançado esta categoria em 1697. A vila foi importante entreposto comencial pois seu porto fluvial estava localizada no ponto extremo onde o Rio Macacú era navegável. Da vila partiam caminhos em direção ao norte fluminense e em direção à serra. Hoje totalmente em ruínas a vila contava com Casa de Câmara e Cadeia, Igreja Matriz de Santo Antônio de Sá - da qual aindo vemos a torre sineira -, praça e casario, além do convento franciscano. As ruínas remanescentes desta urbe são tombadas e o sítio arqueológico foi registrado pelo IPHAN e pelo INEPAC.
A consolidação das ruínas, as pesquisas arqueológicas deste sítio e o tratamento paisagístico deste conjunto certamente tornarão o local ponto de atração turística de nível internacional. Sua importância histórica e beleza, bem como a proximidade do Rio de Janeiro destacam as ruínas no cenário nacional, passando desde já a ocupar um patamar privilegiado dentre os monumentos arruinados, rivalizando em beleza e dramaticidade com São Miguel das Missões, no rio Grande do Sul, e com a Casa da Torre de Garcia D’Avila na Praia do Forte, Bahia.
Assim, entendemos que o Centro de Informações do COMPERJ terá a função de mediador entre o Pólo Petroquímico a ser implantado e o Sítio Histórico a ser preservado e valorizado. Mais do que isto, devido a sua proximidade do sítio arqueológico e das ruínas, o CI será ponto de chegada do turista que busca um entretenimento cultural, no entanto, será também a porta de entrada pelo qual empresários e técnicos iniciarão seu contato com o Pólo Petroquímico.
Visualmente o CI estará relacionado aos elementos edificados remanescentes da antiga vila, ou seja, a torre sineira da Igreja Matriz e a fachada principal e algumas alvenarias do convento franciscano. Estes dois elementos estão implantados no ponto mais elevado de um pequeno promontório, tendo à frente a torre sineira e aos fundos a imponente fachada conventual.

Breve análise da arquitetura do Convento São Boaventura Os conventos franciscanos são “edifícios simples no seu conjunto”, pois “havia a intencionalidade religiosa que se referia à singeleza proposta pela filosofia da Ordem de São Francisco”. Ao longo de sua fachada principal do Convento São Boaventura alinhavam-se os diversos ambientes nos quais se desenvolviam atividades específicas: cabido, as naves das duas igrejas e o convento. Uma planta simples em que os usos são dispostos lado a lado, e unidos por um plano de fachada, no qual se destacam da massa horizontal da alvenaria os frontões das igrejas da ordem terceira e da ordem primeira, e o campanário.
Além da singeleza das frontarias os conventos franciscanos eram compostos por dois elementos singulares: o adro e a galilé. Ainda segundo Silva “o adro é uma inovação totalmente franciscana”, sendo caracterizado por um amplo espaço aberto localizado à frente do conjunto, com um cruzeiro central de pedra lavrada. Já a “galilé é o portico que antecede o acesso à igreja conventual (...) criando um elemento de transição entre o exterior e o interior da igreja”.

Outro elemento importante do conjunto era o claustro, pátio ao ar livre para o qual se abriam as circulações internas do convento. Seus jardins representavam o Édem e buscavam a tranqüilidade e o recolhimento. A água corrente está sempre presente nestes jardins que, por vezes, possuem uma fonte ou um chafariz. Ter uma fonte no centro do jardim do claustro simbolizava a Árvore da Vida colocada por Deus no meio do Paraíso, e os 4 lados do quadrângulo são os 4 rios que corriam pelo Jardim do Éden. Há um simbolismo nestes elementos que buscava recordar que somos todos convidados a fazer a mesma experiência de intimidade que Adão e Eva tinham com a natureza, antes do pecado original.

A arquitetura do Centro de Informações

O CI por determinação do edital do concurso será implantado em um promontório contiguo ao sítio histórico, tendo um pequeno vale entre os dois elementos edificados. Os parâmetros norteadores do projeto do CI foram:
A proporção equilibrada entre as massas edificadas que formarão um novo conjunto histórico/cultural composto pelas ruínas e pelo CI;
A neutralidade da volumetria, buscando que o CI seja percebido como um elemento estável e sóbrio, sem concessão a afetações ou modismos;
Valorização das visuais do conjunto tombado para quem chega ao CI;
Criar perspectivas privilegiadas a partir de diversos pontos de vista;
Atender às recomendações do edital quanto às questões tecnológicas e de sustentabilidade;

O CI com sua forma simples, serena e homogênea, enquadra-se de forma eficiente e completa em todos os parâmetros pré estabelecidos. Suas dimensões não suplantam nem se acanham em relação à massa do convento, porém é mais neutro que este, não possuindo aberturas ou saliências. Seu posicionamento possibilita a visualização da torre da igreja matriz e da fachada do convento em uma mesma perspectiva tomada do ponto de controle de acesso, no qual todos os veículos serão obrigados a parar para identificação. Seguindo em direção o desembarque o motorista terá à sua frente a imagem ao longe da torre sineira da Igreja de Santo Antônio de Sá, enquanto percorre monumental fachada principal do edifício, que paira sobre a água sem toca-la. Esta fachada não é monolítica, é vazada, etérea, translúcida, enigmática, um véu que não revela a edificação propriamente dita.

O visitantes desembarcarão na praça cívica que fará a vez de adro, possibilitando a reunião dos visitantes antes da entrada. Nesta praça ilhada encontra-se o conjunto de mastros para asteamento dos pavilhões oficiais; dela parte a rampa de acesso principal. Subindo a rampa os visitantes passarão por um monumental portal na dupla fachada e adentrarão ao prédio pelo jirau. Este espaço atuará como ambiente de transição entre o espaço exterior, pleno de luz e vibração, e o interior, mais contido e silencioso, uma galilé contemporânea.
Espaços com pés direitos confortáveis colocados lado a lado, interligados por circulações voltadas para um pátio externo são mais alguns pontos em comum entre o antigo convento e o moderno centro de informações.
No pátio posterior o jardim que leva a meditação, a pensar na medida do tempo e no futuro, um deck será a extensão do Museu e abrigará peças arqueológicas. Rampas, escadas e patamares dão à área externa uma dinâmica que convida a caminhada. A água envolve o edifício, e penetra o jardim. No ponto extremo norte do jardim, no final da rampa, o marco da pedra fundamental, uma fonte simbolizando a energia vital.

Acessos

Uma única guarita faz o controle de entrada e saída de veículos do CI. A área de serviço possui controle interno e concentra a carga e descarga de equipamentos. O acesso de pedestres se faz por uma rampa na praça cívica, que vence a altura de 1,5m até chegar ao salão principal, a partir de onde se direcionam visitantes, servidores e técnicos. Por uma extensa varanda se vê a parte norte do edifício onde se localizam praças, esculturas, e outros atrativos do CI com vista para o Parque Arqueológico. O acesso a esta área é feito por uma rampa e por uma escada no interior do CI. A varanda, além de permitir a vista da paisagem ao visitante, invade o interior de ambientes como o museu e a biblioteca, apresentando aos visitantes e usuários as atividades do CI através da descoberta e do contato visual das áreas públicas.

A Forma

Fruto das condições impostas pelo sítio através das necessidades de conforto térmico e das visadas propostas, o edifício do CI, funciona como uma passagem entre a praça cívica e a praça interna, entre sul e norte. Quando percebido pelo sul (via principal do complexo da Comperj) apresenta-se como um elemento monolítico homogêneo que surge discretamente na paisagem, assim como um risco branco num fundo verde. Na direção norte, ele se abre para a paisagem, sendo invadido por ela, de maneira a compartilhar compositivamente sua forma com a topografia através de movimentação de terra formando cheios e vazios. Sua forma definitiva se configura após o desenho de diversas aberturas, vazios e pátios, sem jamais perder a leitura de sua forma categórica, que é enfatizada de forma suave por uma membrana externa de proteção solar.

O programa

O programa do CI é distribuído de maneira simples e objetiva, o volume principal comporta os usos que permitem um gabarito confortável, como o museu, o auditório/ teatro, a biblioteca e o salão (acesso principal). No centro e nos extremos deste volume inserimos blocos de serviço, que abrigam ar condicionado, banheiros, depósitos, quadros, caixas d’água e outros. As demais áreas possuem pé direito limitado a 3m e formam transversalmente ao edifício áreas de convivência, como as salas de visualização de 3D, que voltadas para o auditório criam um ambiente de Convenções. O acesso de serviço, docas e refeitório estão localizados a oeste no subsolo, de maneira que não se expõem visualmente. Sua situação no terreno faz com que esta área atenda diretamente a importantes usos, como auditório e refeitório. As praças possuem características distintas e conseqüentemente abrigam usos diferenciados:

A praça cívica abriga os mastros e deve ser ocupada para atividades festivas e protocoladas. Sem vegetação, ela recebe e conduz o visitante ao interior do CI sobre um espelho dágua, conduzindo visualmente uma relação focal entre os quatro mastros (governos) e o Memorial da Pedra Fundamental (estatal) - localizado na praça interna do CI.

A praça interna recebe usos diversos, funcionando como um parque de esculturas, abrigando outros usos do CI, como a extensão do museu, a área de convenções, refeitório, e jardins. Com uma faixa arborizada, esta praça protege a fachada norte, que funciona como um brise natural, criando um micro-clima adequado às condições climáticas da área. Este fator estimula a presença dos visitantes no seu interior que interagem visualmente com a extensão da varanda. Nas demais faixas, a praça permite que o visitante perceba a paisagem, os marcos visuais históricos existentes, caminhos, a água, os abrigos, os clarões, as montanhas, o verde e as molduras paisagísticas.

Aspectos técnicos construtivos

A intenção de viabilizar uma obra racionalizada, de custos satisfatórios, baixa manutenção e rápida execução, nos levou a adotar um sistema construtivo modular com vãos regulares em uma única malha estrutural a ser executado na sua maioria em estrutura metálica e materiais industrializados.
O bloco principal é composto por um grande vão, estruturado por treliças metálicas, e contraventado pelos três blocos de serviço, em estrutura de concreto. As outras vigas e os pilares são em estrutura metálica e as lajes são pré-moldadas.
Nos setores administrativos e na área de convenções optou-se pela idéia da máxima flexibilidade possível, fazendo o uso nas paredes internas e externas do sistema drywall, com a utilização das ecoplacas, placas fabricadas a partir da reciclagem de diversos plásticos. Para o fechamento externo do edifício, optamos por utilizar as ecoplacas externamente, com isolamento em lã de rocha e placas internas variando entre as Ecoplacas e Madeira de reflorestamento.
As ecoplacas utilizam resíduos plásticos de diversos, dentro os quais o EVA (etilnivilacetato), PEBD (polietileno de baixa densidade), etc. Não contém celulose ou resíduos de embalagens. É impermeável, de baixo peso, 100% reciclado e reciclável. Para as janelas, utilizamos caixilhos de madeira de reflorestamento e vidros laminados duplos. A proteção solar se dará na fachada sul, leste e oeste, através de uma segunda pele de chapas metálicas, e na fachada norte, através de brises horizontais de madeira de reflorestamento. Em todas as madeiras serão aplicados vernizes à base de óleos e resinas vegetais. Nas áreas onde a iluminação natural deve ser totalmente controlada, e onde o ar-condicionado deve ter seu uso constante, a cobertura é composta de telhas metálicas com isolamento termo-acústico e forro isolado. Nas áreas onde é preferível a utilização da iluminação e ventilação natural, o sistema de cobertura é composto por sheds metálicos. Nas áreas onde há a utilização de ar-condicionado, os sheds são fechados por vidro laminado, permitindo apenas a iluminação zenital indireta.
Nas áreas que serão impermeabilizadas será utilizada resina bicomponente, composta de Poliol de óleos vegetais modificados e reagentes. Este produto impermeabilizante é atóxico, sem odor e emissão de gases tóxicos, com alto rendimento e produzido com 70% de componentes de origem vegetal renováveis.
Em partes das coberturas, estão sendo instaladas coberturas verdes, com o objetivo de colaborar com o isolamento interno da edificação, minimizar as áreas construídas com lajes, e reduzir a velocidade de escoamento das águas de chuva. Apesar do terreno apresentar uma área verde muito extensa, o uso da cobertura verde se justifica pelo aspecto formal, colaborando na imagem de ecoeficiência da edificação.

Conforto ambiental

A arquitetura e a tecnologia devem andar em consonância, são atividades convergentes onde edifício se converte no próprio signo tecnológico. Portanto, orientamos nossos esforços em fazer do CI exemplo do avanço tecnológico e da preocupação com o meio ambiente. Um edifício símbolo dos novos tempos, aonde a ação de usufruto do espaço natural não deve ter um sentido único, ela deve ser bilateral, fazendo do homem e dos demais organismos naturais parte do mesmo ciclo, da mesma troca, com sentidos comuns.
Para tanto, o projeto prevê estratégias de redução e controle do ganho de calor através de brises e telas de proteção, ao mesmo tempo em que procura o melhor aproveitamento da iluminação natural controlada por sheds e pelas esquadrias de vidro duplo laminado com película seletiva com baixa transmissão de calor. A ventilação e iluminação é feita através dos sheds e das janelas em fachadas opostas, permitindo a ventilação cruzada.
O projeto define iluminação e ventilação natural para o salão de acesso e climatização artificial dos espaços de trabalho, auditório, museu e biblioteca através do uso de ar condicionado nos períodos mais quentes, mas também permitindo a ventilação natural quando desejável. Parte da edificação é semi-enterrada, colaborando com o isolamento térmico e promovendo juntamente com as aberturas adequadas, um direcionamento dos ventos. Externamente à edificação, é necessário o escoamento natural da águas pluviais, de maneira a estimular a maior permeabilidade possível nas praças do conjunto. Por este motivo, as áreas pavimentadas serão feitas com blocos de concretos porosos vazados, preenchidos internamente com grama e/ou areia.

Paisagismo

O planejamento paisagístico é um processo complexo que resulta dos esforços de uma equipe multi e interdisciplinar. O produto final, o projeto de paisagismo, ordena suas metas a partir das conclusões extraídas desta fase de planejamento e, ao invés de intervir na paisagem, deve trabalhar sobre ela as suas transformações e reconstruções.
A análise paisagística deve considerar, também, a complexidade cultural e histórica do sítio e, cronologicamente, sintetizar as diretrizes da intervenção. A formação de paisagens culturais contrapondo-se à paisagem natural é o produto de toda uma ordem sócio-econômica e, em nosso país de dimensões continentais, sua diversidade é fator a ser considerado. Portanto, compreender como se constituíram os panoramas do sítio, seus aspectos sócio-culturais, econômicos, ambientais, suas interações e impactos com o meio natural e construído, é essencial para desenvolvermos um processo legítimo para a intervenção paisagística. Um estudo das potencialidades paisagísticas, que vieram a determinar a nossa metodologia de intervenção, foi elaborado a partir da análise dos seguintes aspectos:

Plano de Visão.
Eixo(s) do Sítio e Linha de Visão. Perspectiva, Cone de Visão e Escala Humana.
Pontos Focais e/ou Marcos Históricos, Arquitetônicos, Culturais e Naturais. Elementos Plásticos: cores, texturas e formas.
Outros Elementos: sons, luz e sombra etc.

A paisagem foi escrutinada e seus panoramas analisados de acordo com suas potencialidades plásticas e sensoriais. A implantação da edificação possibilitou, também, uma montagem gráfica que contrapõe o prédio com os diversos elementos existentes na paisagem histórica. Este processo, simples e respeitoso, corrobora para potencializar a percepção visual do campus como um conjunto harmonioso. Esta etapa, dirigida pelos sentidos humanos e, fundamental para a elaboração das metas do projeto, revelou a importância de uma intervenção cuidadosa. A paisagem existente é um convite à contemplação. Apenas o conjunto das ruínas históricas sobressai num panorama, ainda aparentemente, intocado pela atividade humana. Sendo assim, a inserção de novos elementos à paisagem existente somente obterá sucesso se amalgamar suas raízes com as o entorno, zelando pela preservação dos pontos focais existentes, respeitando cuidadosamente a essência presente no atual panorama. O estilo adotado pelo paisagismo sugere uma intervenção mínima. Contudo, deve-se ressaltar a importância da floresta em estado avançado de regeneração, ao fundo da ruína do convento. Esta floresta e as outras matas no entorno, que configuram fragmentos florestais, devem ser interligadas por corredores florestais aumentando, sobremaneira, seu potencial ecológico e regulador. Sugere-se, igualmente, que os tratos alagadiços sejam dragados e que suas respectivas lâminas d’água ganhem exposição. Outras recomendações poderiam ser consideradas, mas nossa intenção é apenas a preservação o panorama atual. Devemos considerar a implantação futura do parque industrial como uma profanação da qualidade bucólica – sagrada - da paisagem atual. Por tal, acreditamos que “penteando” o entorno imediato ao sítio, isolaríamos nossos monumentos das futuras edificações industriais, preservaríamos a essência poética atual e, ainda, reforçaríamos o sentido de “lugar” para aos futuros visitantes.
Finalmente, o paisagismo do entorno do prédio proposto foi trabalhado em canteiros geométricos, retangulares, onde as espécies estariam distribuídas em platôs, conforme a pureza abstrata do estilo de Pieter Mondrian. Desta maneira, os canteiros ajardinados alcançam um equilíbrio lírico e seguro. O seu design é, igualmente, harmônico, tanto contraposto à paisagem ao fundo, quanto contrastado com as fachadas da edificação projetada. A austeridade das suas formas geométricas e retilíneas é atenuada pela tensão cromática das espécies vegetais e, também, pela paisagem refletida no espelho d’água projetado. Esta delicadeza frágil, rara e preciosa, busca a arte da máxima probidade e satisfaz a estreiteza de apenas participar da simplicidade do mundo natural.

Infra-estrutura

Por se tratar de um Centro de Informações da Comperj – Petrobrás, empresa ligada à ciência e à pesquisa, é importante que o edifício esteja alinhado com os esforços mundiais de desenvolvimento sustentado. Assim, a infra-estrutura foi planejada com bastante critério, tanto do ponto de vista do uso quanto com relação à gestão dos recursos energéticos.

O abastecimento de água será projetado para receber uma futura rede pública, mas também deverá ser auto-suficiente com a utilização de poços artesianos que abastecerão cisternas. A utilização desta água deverá ser controlada e minimizada, através da utilização de equipamentos e sistemas sanitários econômicos, e através do reuso da água de chuvas e águas tratadas de esgoto. A água quente, necessária para os vestiários e cozinha, será aquecida por coletores solares de tubos á vácuo, que possuem uma eficiência superior aos coletores de placas planas, conjugadas com um sistema de aquecimento de água por boilers à gás.

O gás que serve à cozinha e a geração de água quente serão armazenados em tanques de GLP, mas com a possibilidade da futura alimentação por rede pública.

O tratamento da água e do esgoto será realizado por mini estações de efluentes (Mini-ETEs), sistemas fabricados em plástico, não dependendo portanto da existência de uma rede pública e possibilitando o reaproveitamento das águas servidas. A alta eficiência deste sistema permite que o efluente, após o tratamento, possa ser lançado em rios, lagos, infiltrado no solo ou reutilizado na edificação. O efluente tratado pode ser utilizado para descargas de vasos sanitários, lavagem de pisos, e regas de jardins. A sua eficiência é de até 98% de abatimento de DBO5. O sistema ainda possui a vantagem de exigir pequena área de instalação, permite ampliações modulares, e não requer manutenção.
As mini-estações realizam o tratamento em caráter biológico. São associadas etapas anaeróbicas e aeróbicas, onde o efluente é descontaminado por microorganismos benéficos, retirando a sua carga orgânica, e por conseqüência eliminando os patógenos transmissores de doenças.

O sistema de captação de água é utilizado em praticamente toda cobertura. Um sistema de filtros reduz a pressão da água na sua descida da cobertura, separando as impurezas. Os filtros existentes no mercado são altamente eficientes e exigem pouca manutenção. A água recolhida é posteriormente armazenada em uma cisterna própria, para ser reutilizado.

O sistema de condicionamento de ar foi dimensionado para uma carga térmica reduzida, devido aos sistemas de isolamento propostos. O sistema escolhido utiliza chillers e fancoils, devido a sua maior eficiência. Foram projetadas três áreas para a concentração dos Chillers e três áreas para a concentração dos fancoils. Desta forma, o sistema pode ser ligado em etapas, de acordo com a necessidade. Sempre que possível, as áreas são refrigeradas através de fancoils com sistema de dutos. Em algumas áreas é preferível a instalação de fancoletes individuais por sala. A água de condensação utilizada nos chillers é esfriada pelo espelho de água existente no projeto (Open Loop Pump – GWHP) , ao invés da utilização de torres de refrigeração, assim diminuindo o desperdício de água.

Conforme as informações fornecidas, a alimentação elétrica será pela rede pública, e por este motivo, a utilização de energia fotovoltaica não se justifica economicamente. Porém, as instalações elétricas, alimentações e quadros serão preparados para a dupla alimentação. Assim, podemos utilizar a energia fotovoltaica parcialmente, ou integralmente, de acordo com a necessidade, ou quando houver a diminuição do seu custo, ou com o intuito de disseminar a energia limpa solar, como projeto arquitetônico modelo. Há uma área prevista para armazenamento de baterias/capacitores, e as áreas de cobertura com telhas metálicas e cobertura verde podem ser sobrepostas com as placas fotovoltaicas.

 

 

 

 

 

Equipe:
Marco Milazzo
Tom Caminha
André Thurler
Ana Paula Polizzo
Paulo Vidal
Gustavo Rosadas
Gustavo Martins
João Paulo Bastos

 

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