2000

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CENTRO DE ARTES UFF

 


 

CENTRO DE ARTES UFF

Niterói - RJ - 2007

cliente: UFF

área construída: 4.850 m²

 


 

Segundo o Departamento de Difusão Cultural da UFF, o edifício que hoje abriga o Centro de Artes e o prédio da reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi construído em 1916, residência de Alberto Bianchi e Luciano Airosa. Em 1936, o palacete foi adquirido e demolido, por Luiz Alves de Castro, o Capitão Lulu, e Joaquim Rollas, sócios da Empresa Fluminense de Diversões, uma rede de cassinos que abrangia o Cassino da Urca, o Quitandinha em Petrópolis, Pampulha em Belo Horizonte, entre outros.

Em seu lugar, foi construído o Hotel Balneário Cassino Icarahy, inaugurado em 8 de julho de 1939, numa festa filantrópica patrocinada pela primeira dama do país, Sra. Darcy Vargas. A edificação passa a ser uma das mais bem projetadas de Niterói, seguindo o estilo Art Décor, muito em voga na época. O cassino funcionou até 30 de abril de 1946, data da proibição do jogo no Brasil.

O prédio é composto por um bloco de onze pavimentos e um corpo saliente frontal de um pavimento. Destaca-se por estar localizado em centro de terreno, e com um grande afastamento frontal, onde existia um jardim estilo francês, hoje modificado.

Originalmente o corpo frontal tinha uma torre central, na forma de meio cilindro, com predomínio de linhas curvas, marcando a simetria da composição. A torre foi demolida e as formas curvas retiradas em intervenções posteriores. O bloco maior apresenta varandas em alvenaria e um relógio na parte superior.

O período áureo do Cassino foi a década de 40, época em que o Grill-Room – um misto de restaurante e casa de espetáculos – apresentava os mais concorridos shows da cidade e que funcionava como um atrativo para o cassino. Os shows eram produções caríssimas dirigidas por Jaime Redondo, que absorviam um grande número de artistas e técnicos, e eram uma fonte segura de empregos numa época marcada pela 2ª guerra mundial.

Comparados aos musicais da Metro por Juliana Yanakiewa – bailarina que por diversas vezes, dançou no palco do Grill-Room, esses shows eram estrelados por importantes nomes nacionais e internacionais. Entre eles, Tito Guizar, Pedro Vargas, Imma Sumack, Eros Volusia, Grande Otelo, Linda e Dircinha Batista, Josephine Baker, Agostín Lara, Chucho Martinez Gil, Carmen Miranda e Olona Massey.

Fechado o cassino, o prédio foi vendido a Antônio Augusto da Paz e passou a funcionar somente como hotel-restaurante. Em 1952, depois de muitas reformas, surge o Teatro Cassino Icaraí. Ainda na década de 50, funcionaram o Cine Grill e o Cine Cassino. Em 1964, o prédio passa a ser propriedade do MEC, vindo a abrigar a reitoria da UFF a partir de 1967.

O prédio sofreu diversas intervenções, vários acréscimos e edifícios anexos foram sendo feitos em diversas épocas, para atender à reitoria, ao centro de artes, e outras diversas funções da universidade.

Em 10 de outubro de 1994, a Prefeitura de Niterói, tendo em vista o valor cultural da edificação, tombou o conjunto do antigo cassino, constituído pela edificação principal, seu jardim e a mata da sua encosta, através da Lei No 1.330.

CARACTERIZAÇÃO DO EDIFÍCIO

A grande importância que o Centro de Artes da UFF representa para a cidade de Niterói, para a universidade e para a cultura brasileira, exige que este espaço tenha um tratamento muito especial.

Além da perda das características originais art décor, através de intervenções feitas para adequar a diversos usos, o edifício não foi projetado originalmente para comportar um teatro e um cinema, e por este motivo, não apresentam todas as condições técnicas necessárias para a devida utilização.

Existem ainda muitos problemas de circulação, acessos restritos à portadores de necessidades especiais, não atende corretamente a legislação nacional do corpo de bombeiros, etc..

A Sala de cinema apresenta um espaço maior que o Teatro, com mais de 400 lugares, se tornando subtilizado, enquanto que o palco do teatro possui um pé-direito muito reduzido, sem sequer possuir urdimento. As áreas administrativas são pequenas e mal organizadas, havendo muitos espaços ociosos. Não há depósitos suficientes para guarda de equipamentos e mobiliários, e a Orquestra Sinfônica da UFF não possui um local para ensaios.

Além disso, todas as instalações estão em más condições: infiltrações, instalações com problemas, revestimentos comprometidos e antigos, equipamentos obsoletos, poltronas necessitando troca ou reforma, etc.

O NOVO PROJETO

A proposta para o projeto do novo Centro de Artes da UFF teve como idéia inicial à troca entre o espaço do teatro com o espaço do cinema. A partir desta mudança de uso dos edifícios é possível criar um teatro com capacidade superior à atual (396 lugares), e com todo o apoio técnico necessário. Ao mesmo tempo o cinema passa a ter menor capacidade (292 lugares), porém sem comprometer as suas qualidades.

O projeto propõe também a retirada de pequenos “anexos” que foram sendo criados junto ao prédio da reitoria, desqualificando e desrespeitando a edificação preservada. No lugar destes espaços, criamos uma edificação compacta, que abrigará os novos espaços de uso do Centro de Artes. Além disso, propomos a ampliação e a reforma de uma edificação já existente, junto à divisa do terreno, para abrigar as funções que foram remanejadas, de maneira a empregar nesta reforma a mesma linguagem arquitetônica do edifício proposto.

Assim as funções do Centro de Artes e de outras da universidade e da reitoria ficam evidentemente organizadas, cada uma ocupando seu determinado espaço, participando do mesmo conjunto.

Para a área do novo cinema, propomos a reforma de todos os espaços que atualmente encontram-se muito deteriorados. O palco de madeira existente será retirado, e o piso original do antigo cassino, feito de mármore, será recuperado. Propomos uma sala de projeções no térreo e adaptamos as salas técnicas superiores para comportar os equipamentos de ar-condicionado, som e iluminação. Neste espaço também serão realizadas as apresentações da orquestra sinfônica da UFF, e por este motivo, precisamos de um adequado tratamento acústico e lumínotécnico, além das necessidades já inerentes a função de uma sala de cinema. As cadeiras existentes serão restauradas e remanejadas, para que seja possível a colocação nas primeiras fileiras, de novas cadeiras móveis, assim permitindo a ampliação da área de apresentação para a orquestra.

Outra preocupação importante é quanto a acessibilidade. Adaptamos alguns espaços para a construção de sanitários especiais, criação de rampas, corrimãos, portas maiores, novos equipamentos, e ampliação das circulações, atendendo as normas da ABNT e ao corpo de bombeiros. Os camarins passam por modificações, para atender as necessidades dos concertos da orquestra e convidados.

Para o novo teatro, além da reforma geral das instalações e revestimentos, propomos a manutenção do forro do teto, e a colocação de novos revestimentos nas paredes, proporcionando uma melhora na qualidade acústica e estética. Como esta edificação não possui outro pavimento acima, ao contrário do que acontecia no antigo teatro, podemos ampliar verticalmente a caixa cênica, instalando o urdimento mínimo compatível com necessidades básicas de um bom espaço cênico, além também da criação de um fosso abaixo do palco. Da mesma forma que no cinema, propomos a restauração das cadeiras existentes, e o seu remanejamento, para permitir a colocação de cadeiras móveis nas primeiras fileiras, e assim permitindo a ampliação do palco através da implantação de módulos móveis de praticáveis.

A nova edificação ocupa a área onde foram retirados os pequenos anexos, e comportará um novo acesso exclusivo para a administração do centro de artes, sala de ensaios da orquestra sinfônica, acesso de serviço para as áreas de camarins e depósitos, tanto do cinema quanto do teatro.

A edificação possui uma conexão direta, pelo seu segundo pavimento à área de administração já existente, ligando também as áreas de depósito e camarins com a coxia do teatro, permitindo a rápida troca de cenários e entrada de artistas. No seu terceiro pavimento, fica a sala de ensaios que será isolada acusticamente, não interferindo nas outras funções do Centro de Artes. Um elevador foi colocado para permitir o adequado acesso à administração e a sala de ensaios, o que antes não existia.

Além disso, propomos a reorganização interna dos espaços administrativos e técnicos, aumentando as áreas úteis, a iluminação natural, a ventilação, e a qualidade dos ambientes de trabalho.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Fernanda Muse
Gustavo Rosadas
Ana Paula Polizzo
Sara Jorge
Gustavo Martins

 

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