2000

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CENTRO CULTURAL UNIRIO

 


 

CENTRO CULTURAL UNIRIO

Rio de Janeiro - RJ - 2003

cliente: Unirio

área construída: 15.800 m²

 


 

Nos últimos anos observamos o crescimento da quantidade de centros culturais no Brasil e no Mundo. Isso se deve à necessidade cada vez maior das pessoas em adquirir informação. As novas formas de comunicação, como a Internet, juntamente com a as formas já existentes, como livros, revistas, CD-Roms, TV, teatro, cinema, entre outros, são mais atraentes e mais fáceis de assimilação, principalmente se o ambiente for agradável e ao mesmo tempo proporcione entretenimento. Quando este centro cultural é inserido à uma universidade, ele também pode ser um local para a apresentação dos projetos produzidos pelo seu corpo docente e discente, e um espaço onde possam ocorrer cursos, palestras, seminários e congressos.

A maioria dos campus universitários criados desde a década de 70 têm as características de uma minicidade, alguns obedecendo a certos conceitos modernistas e tornando-se lugares frios e inóspitos, outros tentando criar uma linguagem entre o novo e o existente e ainda aqueles que privilegiam a vida entre estudantes, habitantes e o ambiente.

Os planos concebidos pela arquitetura moderna nas décadas de 50 e 60 propunham extensas áreas livres, edifícios distanciados entre si, sistema viário periférico visando segregar pedestres de veículos, etc... Estas idéias também vinham de ideais da política de repressão militar querendo evitar a reunião de estudantes. Podemos ver um exemplo deste sistema no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão.

O Plano Agache definiu a criação de um núcleo universitário na Urca, um centro cultural e intelectual para a cidade. Segundo ele os estabelecimentos universitários deveriam estar em áreas nobres (espaçosas e de boa qualidade) e perto do centro da cidade. Na área estudada por Agache está a UNIRIO, num local agradável e sossegado, com fácil comunicação com os principais bairros da cidade.

O Campus da Universidade do Rio de Janeiro na Urca localiza-se na Avenida Pasteur, via de acesso ao bairro, estendendo-se pelo morro da Babilônia e pelo Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos da cidade. Nela encontram-se importantes edificações, de grande interesse arquitetônico, cercadas por muita vegetação, por morros e pelo mar, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (antigo Hospício Pedro II), e o Instituto Benjamim Constant.

Ao final da Avenida Pasteur, no grande “cul-de-sac” que circunda a praça General Tiburcio, encontram-se os edifícios da Escola Superior de Guerra e o Instituto Militar de Engenharia que limitam a Praia Vermelha, onde a vista da Baía de Guanabara e de Niterói é inegavelmente deslumbrante. O projeto das edificações da UNIRIO foi objeto de concurso fechado de arquitetura, vencido na ocasião pelo escritório do arquiteto Luiz Paulo Conde. Muitas modificações foram feitas do projeto para os prédios hoje construídos. São dele os projetos do prédio construído do Centro Jurídico e do Centro Biológico, que está em fase final de construção. Foi elaborado também um anteprojeto para a área do Centro Cultural, onde seriam contemplados um grande teatro e espaço para exposições, que não foi executado. No terreno da universidade também encontram-se construídos vários blocos: o Centro de Letras e Artes, Centro de Ciências Humanas, uma Biblioteca Pública, o Centro de Ciências Jurídicas, e o prédio de Ciências Biomédicas em fase final de construção. A área em estudo, em frente ao prédio de Ciências Jurídicas, ainda não se encontra edificada, e atualmente é utilizada pelos professores como estacionamento. Além disso, em uma parte do terreno, ao lado desta área, é localizada uma pequena praça. A proposta deste projeto é promover a integração entre as artes, a universidade e a população, como afirma Gössel:

“Devolver ao museu o seu lugar de unidade cultural calculada, significa reconhecer que o impacto da obra de arte moderna ultrapassa em muito a sua moldura e, portanto, deve-se responder com esforços talhados especialmente para que se possam expor esse trabalhos. A arquitetura não aceita um papel secundário numa tal situação de diálogo, mas discute antes a arte em plena consciência do seu conteúdo... Os museus do século XX certamente irão mais longe, e apresentarão não apenas a obra de arte em si como também o ambiente social...” (GÖSSEL, Peter – Arquitetura no Século XX)

Apesar da grande área do lote, a sua maior parte se encontra no morro, onde não podem haver edificações, ou já está edificada. Sendo assim, a área em estudo se limita a aproximadamente 6.300m2. O terreno está elevado 1.50 m do nível da rua e é cercado por um muro de aproximadamente 2.50 m de altura. A orientação Norte do terreno fica voltada para a Av. Pasteur, e ao Sul a grande massa, formada pelo morro da Babilônia. Com isso o morro acumula muito calor durante o dia e o transmite de volta, aquecendo muito as edificações. Existe uma boa ventilação no sentido da avenida devido a grande abertura que ela possui.

O clima do bairro é amenizado, devido a existência de muitas edificações de um e dois pavimentos, permitindo uma ventilação adequada e por se encontrar quase que numa península, cercada pelo mar. Além disso a Urca é um dos bairros com melhor distribuição e concentração de vegetação do Rio de Janeiro. O partido arquitetônico inicial é baseado no ritmo e na forma das edificações vizinhas existentes. As edificações existentes são todas ortogonais, com fachadas paralelas a via, sempre separadas por um vazio. Não só a Av. Pasteur como todo o bairro segue um modelo, controlado principalmente por seus moradores, além da forte presença militar, quase que obrigando a adoção das mesmas formas ortogonais e tradicionais. Ao mesmo tempo um Centro Cultural contemporâneo merece uma volumetria diferenciada, uma arquitetura que seja destaque para a cidade. A arquitetura não é apenas um espaço para abrigar a arte mas também faz parte dela, também passa a sua mensagem.

O volume principal é formado pelas quatro fachadas em pano de vidro incolor, totalmente transparentes, ortogonais, em obediência as formas das edificações vizinhas. Estruturadas por perfis metálicos, elas envolvem os pilares metálicos inclinados que sustentam toda a construção. Os planos e volumes que formam os ambientes dentro da “caixa de vidro” parecem tentar fugir, escapar da rigidez imposta, como uma explosão cultural que não consegue escapar das barreiras do bairro da Urca. O impacto causado pela edificação, para quem se aproxima ao longe é devido ao uso de materiais diferenciados e pela sua implantação. Ao se aproximar o impacto vai aumentando pois as formas interiores começam a aparecer, causando ainda mais curiosidade, e chamando os visitantes para entrar. A cada movimento, a cada paço, volumes, texturas e cores novas vão aparecendo, formando sempre uma paisagem diferente.

“Não se projeta nunca para mas sempre contra alguém ou alguma coisa: contra a especulação imobiliária e as leis ou as autoridades que a protegem, contra a exploração do homem pelo homem, contra a mecanização da existência, contra a inércia do hábito e do costume, contra os tabus e a superstição, contra a agressão dos violentos, contra a resignação ao imprevisível, ao acaso, à desordem, aos golpes cegos dos acontecimentos, ao destino.” (ARGAN, Giulio Carlo – Projeto e Destino)

A insolação é um fator importante, impondo a necessidade de proteção nas fachadas principais: fachada norte, leste e oeste. Foram colocados grandes brises de alumínio, presos por cabos de aço, nas fachadas nordeste e noroeste com grande profundidade e bem espaçados, assim promovendo a proteção e não interferindo na visão do interior. O grande balanço da cobertura também protege do sol, principalmente a fachada nordeste, onde o beiral é maior. Um artifício utilizado para aproveitar a ventilação natural foi o de não encostar a pele de vidro na cobertura e no piso. Grande parte do entorno possui espelhos d’água, principalmente a fachada noroeste, que em conjunto com um sistema de aspersão, faz com que o ar circule e refrigere o ambiente. Além disso foi projetado um sistema de ar-condicionado para os ambientes fechados.

A praça é o local de convivência, de reunião e de lazer. Uma grande praça em frente ao prédio, bem como levar a praça para dentro da edificação cria um grande ambiente para os moradores, visitantes, turistas e estudantes; aumenta o espaço; valoriza a perspectiva da edificação. A praça que existe hoje é modificada e incorporada a fachada noroeste, onde várias portas pivotantes de vidro permitem a permeabilidade do ambiente interior com o exterior, e onde há o acesso principal à edificação. É criado um grande espaço de convívio, bem como um local onde possam ser realizados congressos, feiras e convenções. Ainda temos uma entrada secundária na fachada sul, destinada principalmente para a circulação dos outros blocos da faculdade.

As peças teatrais contemporâneas utilizam várias formações cênicas, não só o formato italiano, como também o de arena, passarela, ou qualquer outro para atender as necessidades dos produtores. A idéia para o teatro seria dividi-lo em dois, um de médio porte e um maior, sendo que cada um deles ficaria “de costas” para o outro, com um único palco central dividido por meio de painéis móveis. Assim teríamos uma platéia num ambiente ao ar livre e outra num ambiente fechado e condicionado. Dependendo do espetáculo os dois se transformariam em um único. As coxias, os camarins e as áreas de apoio seriam únicas para os dois. A platéia menor seria incorporada a praça e seria aberta ao público, com degraus feitos de concreto, enquanto do outro lado do palco, com uma platéia maior, um teatro todo fechado, teria uma infra-estrutura melhor e possibilidade de espetáculos com ingresso pago.

Além disso um outro volume menor abriga uma pequena sala para apresentações musicais. As várias salas existentes nos dois volumes na fachada sul podem ter múltiplo uso. São dedicadas principalmente a ensaios, oficinas, aulas e a parte administrativa. Ainda foram projetados um restaurante, um grande espaço aberto onde ficam uma pequena livraria e um cyber-café, e uma área para exposições de arte. Todos os ambientes têm seu uso diversificado, podendo atender a necessidades diversas. A utilização de um subsolo para estacionamento, apesar de onerosa, se justifica primeiramente pela necessidade de acesso à universidade por professores, alunos e funcionários o dia inteiro e pelo grande volume de usuários do Centro Cultural. Encontramos no subsolo também grande parte da área técnica e de serviço necessárias. O subsolo possui um único acesso de veículos, onde há a entrada de carros e a docas. Devido ao pé-direito baixo o uso por veículos de carga se dá por fora do estacionamento. A descarga é feita por fora do prédio. O subsolo possui acesso de elevador, uma rampa com saída para a praça e acesso por escadas de dentro das coxias. A estrutura metálica dos pilares funciona como uma grande treliça, contraventada pelo volume do teatro, cujas paredes são de concreto armado. A cobertura é formada por treliças simples revestidas de chapas de aço-corten com duas camadas de isolante térmico.

“Algumas soluções arquitetônicas, especialmente quando são formas abertas e simples, podem manifestar ao visitante o conjunto a partir de seu volume exterior. Em outros casos, uma clara estrutura interior permitirá ao visitante ter sempre noção de sua situação em relação ao percurso global da edificação.” (MONTANER, Josep Maria – Revista Projeto, 144)

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo

 

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