2000

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BIBLIOTECA CENTRAL DA PUC-RJ

 


 

BIBLIOTECA CENTRAL DA PUC-RJ

Rio de Janeiro - RJ - 2006

cliente: PUC-RIO

área construída: 8.320 m²

 


 

“(...) Só me restava interrogar os filósofos. Entrei na grande biblioteca, perdi-me entre estantes que despencavam sob o peso de pergaminhos encadernados, segui a ordem alfabética de alfabetos extintos, para cima e para baixo pelos corredores, escadas e pontes. Na mais remota sala de papiros, numa nuvem de fumaça, percebi os olhos imbecilizados de um adolescente deitado numa esteira, que não tirava os lábios de um cachimbo de ópio.
- Onde está o sábio? – O fumador apontou para o lado de fora da janela. Era um jardim com brinquedos para criança: os pinos, a gangorra, o pião. O filósofo estava sentado na grama. Disse:
- Os símbolos formam uma língua, mas não aquela que você imagina conhecer. Compreendi que devia me liberar das imagens que até ali havia anunciado as coisas que procurava: só então seria capaz de entender a linguagem de Ipásia (...)”. (Calvino, pág.49:1990)

INTELECTA

Os gregos entendiam a expressão ”intelecta” através da imagem de um ser que estaria sempre em função, vivo e funcionando.
Esse ser corresponderia a uma espécie de organismo em contínua atividade e, a sua existência, deveria ser entendida como fruto das suas atividades funcionais. Desse modo, ganhou força a idéia de função como conteúdo fundamental das construções.

A criação da primeira biblioteca pública surgiu através desta idéia de funcionalização do livro, quando o homem deixou de dar valor à relação privada entre ele e livro, e passou a entendê-lo como meio capaz de colocar-se em contato e em parceria com outros meios informativos. Assim, ao longo dos tempos, a humanidade vem concentrando e acumulando o saber em livros, e estes em bibliotecas, fazendo destes espaços grandes acervos da cultura e, conseqüentemente, história da humanidade.

A biblioteca em uma instituição de ensino deverá revelar mais do que uma vertente de saber baseada no livro, para passar a assumir um caráter multi-cultural e poli-facetado, que possa servir também como referência externa, como se tratasse de uma espécie de termômetro, em que se reflita e qualifique o grau de importância e de saber da própria instituição. Deste modo, a biblioteca passa a ser parte ainda mais integrante do importante mecanismo de comunicação, registro e passagem de conhecimento.

A EXPERIÊNCIA INTELECTA

Historicamente um edifício que abrigava uma biblioteca, era, com freqüência, um objeto cuja função principal seria o acúmulo do saber materializado em seu acervo. Estes espaços, construídos para tal objetivo, possuíam aspecto monumental, concentrando em seus interiores expressivo caráter simbólico.

Entendemos que, de fato, o sentido da biblioteca como templo do saber vem se simplificando e tomando novos rumos. A necessidade de se interagir com o livro ou documento, não deve mais se limitar a quatro paredes, ou se esconder por de trás de uma construção opaca e não comunicativa. Nos dias atuais, com a formação de novas redes espaciais de comunicação, informatização, dinâmica, troca, interatividade, multifuncionalidade, transparência, reflexão, rapidez, mobilidade, dentre outros, também se torna importante considerar parte destas novas diretrizes na concepção de um edifício, cujo objetivo é de abrigar uma biblioteca, estimular o intercâmbio de idéias e experiências e ser reconhecido como o coração de um campus universitário.

Portanto, é necessário fazer deste novo edifício objeto de expansão e não concentração do saber. Ele deve ser comunicativo e gerador de encontros, sem abandonar sua função de acervo. O saber não deve ser entendido como algo a ser alcançado, ou acumulado, ele deve ser conseqüência de um conjunto dinâmico de usos e espaços que gerem o estímulo à discussão, ao encontro, à busca, ao entendimento, e principalmente à propagação do conhecimento.

O SÍTIO

Após o reconhecimento do campus universitário da PUC-Rio e do local específico destinado à construção da nova biblioteca central, sentimos a importância da vivência do espaço público como forma de divulgação e troca de conhecimento. A área predominante de permanência foi identificada no local dos pilotis do Edifício da Amizade e logo nos pareceu natural a continuidade espacial para a nossa futura proposta.

Além disso, pudemos perceber que grande parte do fluxo de pedestres é de ou para esta área de pilotis, pelo que nos pareceu um acesso privilegiado para a biblioteca central.

O campus da Puc-Rio está cercado pelos morros Dois Irmãos, que naturalmente a norte e a oeste protegem do calor e dos raios mais intensos do sol nossa área de intervenção. A excelente qualidade do ambiente do campus, a existência de um micro-clima local e a presença de uma grande área verde, nomeadamente com árvores de grande porte (de mais de 15 metros de altura) marcou-nos desde o início e logo quisemos explorar esse fator e fazer comunicar a área verde com o nosso edifício.

Consideramos importante a existência de cinco edificações tombadas que se abrem para uma rua interna de paralelepípedos, pela proximidade deste conjunto com a área de implantação da futura biblioteca, assim como pela força da sua cadência de repetição.

Impressionou-nos também, porém de maneira negativa, a ilegibilidade das circulações de automóveis e de pedestres, motivo pelo qual decidimos balizar áreas destinadas ao estacionamento e à prioridade pedonal, dentro de um limite que consideramos necessário para um diálogo lato do edifício a construir com a envolvente mais próxima.

Também nos desagradou uma excessiva desfragmentação volumétrica dos edifícios em edículas, que, desde logo, nos propusemos a simplificar.

O DESEJO

Motivados por um desejo de liberdade e flexibilidade, reflexos da democratização do conhecimento e da cultura, temos como visão para este novo espaço um sítio de informação, troca de idéias, estímulo da cidadania e de conceitos contemporâneos. Na nossa visão, a energia intelectual vibrante alia-se à boa disposição informal generalizada, formando um todo unificado, impulsionador e forte como um coração: o coração do campus da PUC – Rio.
Através de espaços que possam gerar novas dinâmicas, a Biblioteca Cultural que propomos, deverá estimular a propagação do conhecimento através do contato homem-livro e homem-homem. Só assim, permitindo a ponte entre o saber e o encontro, poderemos criar um edifício como um organismo funcional, que se renove e mantenha, através de ciclos interativos de atividades cooperativas.
Este novo espaço de cultura será, por isso, mais do que um abrigo de informação, assumindo um papel ativo na formação de cada usuário não apenas como estudante, mas também como cidadão e Homem.

O PROGRAMA

Para fazer uma bem sucedida ponte entre o saber e o encontro julgamos ser importante concentrar, no mesmo edifício, uma diversidade de funções que, de certo modo, se complementem na tarefa de atrair públicos com interesses distintos para um mesmo espaço.
Desta forma, incluímos, para além do programa inicialmente pedido para a utilização pública do edifício (que incluía salão de leitura, sala de trabalho de grupo, área destinada a trabalho com recursos informáticos e cátedra de leitura), a re-locação do restaurante principal do campus para o novo edifício; um cyber-café de permanência mais informal do que a sala de informática da biblioteca; e um auditório de maiores dimensões e com relação mais próxima dos usuários do campus.

Com a decisão de re-locar o refeitório, ficaram sem contexto os espaços de apoio à cozinha, construídos mais recentemente, ganhando força a ideia de fazer neste ponto o acesso formal e privilegiado da nova biblioteca.

A IMPLANTAÇÃO

Estabelecemos quatro acessos públicos importantes ao edifício concentrados num único controle:
PRIMEIRO:
chegando através da entrada principal do campus da PUC-Rio;
SEGUNDO:
comunicando internamente a área de pilotis do Edifício da Amizade;
TERCEIRO:
ligando, por intermédio de uma passarela, a nova praça do edifício da biblioteca com uma plataforma, na mesma cota, localizada aos fundos das casas tombadas (atualmente estacionamento);
QUARTO:
e, finalmente, ligando ao nível da rua pedonal.

Os acessos de serviço independentes para a biblioteca e restaurante são previstos no volume de arremate, sendo direta a ligação motorizada e evitando o atravessamento para esse efeito, que se verifica atualmente na rua pedonal. Para além do importante desempenho funcional deste edifício, a sua presença volumétrica assume destaque a nível urbano, por vir dar sentido e limite tanto ao Edifício da Amizade quanto à nova biblioteca.

Pareceu-nos ainda interessante enquadrar o edifício da biblioteca num ambiente mais abrangente e urbanamente programado, de modo a consolidar aspectos de inter-relação espacial, mas também de reforçar uma estratégia global de intervenção, que sugere uma humanização do espaço público do campus.

Sugerimos, então, a criação de uma praça que visa conectar em um plano superior o edifício Kennedy, o instituto de Psicologia e a praça linear da Biblioteca, formando com isso uma espécie de plataforma cultural, constituído por essa nova praça, pelas casas tombadas, pelo conjunto rua pedonal e árvores, pela nova Biblioteca e pela faixa verde, entre Biblioteca e estacionamento geral.
Este conjunto de espaços é arrematado pela presença (discreta e externa) da rua lateral ao campus (rua Marques de São Vicente) e pelos pilotis do Edifício da Amizade.

A FORMA

A resposta exterior:
Propomos um edifício que converse com os alunos, professores e funcionários, que se mostre para o exterior de diversas maneiras, através de respostas variadas a diferentes situações do contexto em que se insere como orientação, relação com o entorno e relação com o próprio usuário.

A primeira determinação foi a de prolongar a área de pilotis, surgindo então um volume sólido que assume o caráter de embasamento, mas possui portões de correr de maneira a possibilitar a franca comunicação com a rua pedonal, de maneira a alcançar um compromisso entre a abertura e a solidez.

Achamos importante o diálogo do edifício com as casas tombadas, assim, a sugestão do prolongamento do seu ritmo de construção e canal de ligação para o novo edifício nos pareceu natural. Deste modo, o arremate do edifício localizou-se alinhado pela última casa. As demais foram rebatidas em nossa proposta pelas salas de estudo em grupo, com suas respectivas varandas, e ainda pelo vazio entre o volume das salas de leitura e o de arremate do conjunto edificado.
Portanto, busca-se fazer presente a métrica conduzida pelas edificações tombadas e conseqüentemente dar sentido a cada trecho volumétrico.

Criamos, por isso, três importantes blocos: o primeiro é formado por pilotis, a fim de continuar a métrica existente no Edifício da Amizade. Este volume de vidro transparente ganha sentido vertical quando abraça as passarelas que fazem a ligação do volume dos salões com o volume do edifício arremate (administração), nos níveis 9,70 metros e 15,80 metros.

O segundo bloco, mais pesado, porém, poroso é composto pelo edifício arremate com o prolongamento do seu embasamento até encostar-se ao edifício Kennedy e virar piso da praça linear.

O terceiro é o volume proposto de maior área, porém, o de aspecto mais leve, por se encontrar em balanço e apoiado em esbeltos pilares. Ele se desprende do Edifício da Amizade, por um vão de iluminação, quer lateral, quer zenital. Esta lâmina de clarabóias corta o terceiro volume e divide em duas importantes áreas, o salão de leitura, que é diretamente sustentado por pilares, e o conjunto de salas de estudo, que são atirantadas, formando um balanço de dois metros para a praça linear.

O corpo das salas de leitura e de estudo em grupo é ainda visualmente destacado do edifício de arremate, criando entre eles um espaço vazio, que intensifica a presença da luz nos edifícios. Funcionalmente, entre estes dois volumes é criada uma ponte de ligação para ambientes mais controlados, como a sala de informática e a cátedra de leitura. Também, este espaço se revela como importante contato entre a parte pública da biblioteca e a área de serviços, que se estabelece nomeadamente a partir do balcão de atendimento para a devolução e o empréstimo de livros.

Foi ainda determinado que a fachada oeste seria mais comunicativa com a rua e com o ambiente arborizado, do que a fachada leste, voltada para um corredor verde e depois para o estacionamento principal do campus.

A RESPOSTA INTERIOR

As experiências que queremos incentivar na nossa proposta para a biblioteca são de interação e freqüente mutabilidade: abrir e fechar, ampliar e condensar, todos estes aspectos são considerados no projeto através da implantação de paredes móveis, paredes opacas ou translúcidas, além de outros elementos como as próprias estantes e móveis que se espalham e geram formas infinitas, de acordo com a apropriação dos mesmos.

As aberturas, por exemplo, agem como moldura para possíveis vistas da paisagem, a transparência, recoberta por cortinas ou portões de correr, possibilita um jogo controlado de intensidade de luz e sombra tanto para o interior quanto para o exterior do edifício.

Também os materiais empregados externamente funcionam como uma sobreposição de elementos em diversas camadas fixas ou manipuláveis, como esquadrias, brises, aberturas de dimensões variadas, planos de vidro, paredes cegas, contrastes como aço e metal ou madeira e até mesmo proteções naturais. Algumas destas, por serem manipuláveis ou mesmo variantes de acordo com o clima ou estação do ano (no caso das árvores ou outros elementos naturais), poderão gerar para a Biblioteca uma dinâmica na sua percepção pelos que dela participam e por ela transitam.

A DISTRIBUIÇÃO INTERNA

Após a releitura do local e das necessidades programáticas do edifício a propôr decidimos organizar a nova Biblioteca em três espaços principais, sendo estes graduados e hierarquizados de acordo com seu potencial sonoro.

Um deles é composto pelo embasamento do novo edifício, que abriga restaurante, área de exposição, livraria e foyer do auditório. Estes possuem relação direta com a rua pedonal e as edificações tombadas, potencializando a atividade de encontro e passagem neste espaço, que atualmente já possui forte tendência receptora, já que as comemorações e festas dos alunos são realizadas nele.

Ao nível dos pilotis do Edifício da Amizade encontra-se nosso acesso preferencial à Biblioteca. É aí que concentramos a entrega e empréstimo de livros, além da presença dos armários e escaninhos para a guarda de material. A praça linear se estende até o cyber–café, reforçando a idéia de arremate do edifício administrativo. A praça espalha-se ainda até a entrada da Biblioteca, dando idéia de continuidade, experimentando temas como transparência, vazio e contato. Existe ainda neste nível um outro acesso ao auditório, favorecendo a diversidade de eventos e atividades a realizar nesse espaço.

O primeiro e o segundo andares da Biblioteca possuem pé direito duplo e são compostos por amplos salões de leitura e diversos outros espaços distribuídos por sua área, tais como balcão de informações, cabines para consulta, espaços para procura, também para leitura demorada e rápida, terminais para acesso a várias mídias controladas, recolhimento e entrega de livros e outros. Nestes andares existem mezaninos metálicos que se espalham formalmente pelo andar, apresentando gráficos distintos de ocupação, a fim de abrigar espaços transformáveis e dinâmicos.

Também neste nível estão algumas das salas de estudo individuais e coletivas, voltadas para a praça linear e para o vazio, que corta parte do edifício. As salas de estudo podem funcionar fechadas, proporcionando um ambiente mais controlado e de maior concentração com isolamento acústico ou podem abrir-se, através de painéis elevados por sistemas de contrapeso, permitindo uma maior troca de informações entre vários grupos de estudo, por exemplo.

A circulação interna em frente a estas salas também é espaço de permanência e de estudo, com a presença de mesas individuais e prolonga-se até se transformar em passarela e conectar o volume da Biblioteca ao edifício administrativo.

Além de ser o arremate volumétrico do conjunto, o edifício da administração abriga funções importantes para o mecanismo de controle e gerenciamento da Biblioteca e de suas atividades. Este espaço é bem concentrado e composto por funções que exigem maior controle e especificidade, já que, é nele que o livro chega e é devidamente direcionado para etapas de aquisição, processamento técnico, recuperação e distribuição.

Procuramos aproveitar sua conexão com o volume composto pelos salões, para nesta continuação, inserirmos atividades como a cátedra de leitura, informática e outras, já que estas atividades permitem o acesso mais restrito do público.

AS FACHADAS

Fachada Leste

Imaginamos que a fachada leste do volume, que abriga os salões de leitura, deve ser cuidadosamente aberta, de maneira a direcionar suas trocas visuais com o Cristo Redentor (um dos cartões postais da cidade). A necessidade de localizar importantes concentrações de estantes com livros junto desta fachada permitiu uma continuidade da linguagem e da métrica num diálogo entre o interior e o exterior através da “pele sensível” da fachada.
Propomos ainda que esta fachada seja de alvenaria a fim de controlar o calor e garantir sua fácil e econômica implementação. É importante ainda destacar que esta fachada possui grande importância gráfica e visual, já que sua condição urbana a tornou presente no acesso ao campus.

Fachada Oeste

De modo a favorecer a ligação do edifício com a paisagem e as frondosas árvores do campus, sugerimos que a fachada oeste seja composta por uma pele de vidro, protegida pelo recuo do volume em relação a um brise de proteção, que abriga os salões de leitura, e pelo conjunto de árvores, que pontuam a via de paralelepípedos, em frente às casas tombadas, criando uma proteção natural. Esta pele também funciona como nosso comunicador mais expressivo, nela estão aparentes as salas de estudo e passarelas, que, voltadas para a praça linear, estimulam a descoberta e a exploração do espaço interno da Biblioteca. A permanência destas árvores, que funcionam como uma espécie de “brises verdes”, também faz a transição entre os volumes da Biblioteca e das casas tombada, tornando esta relação mais sutil e cadenciada. Foi esta a maneira que encontramos de fazer com que o volume que agrupa os salões de leitura fosse sendo descoberto, à medida que nos deslocamos de oeste para leste e descobrimos o interesse por explorar a área composta pela nova Biblioteca, pelos pilotis do Edifício da Amizade, agora, também pela nova praça no nível 3,60 metros.

Fachada Norte

O volume de arremate é revestido por placas cimentíceas que tornam seu aspecto mais pesado. As esquadrias são locadas de acordo com as paginações das placas fazendo esta relação harmônica e precisa. Este mesmo material continua no embasamento do edifício da biblioteca, podendo este ser mais poroso e transparente, devido à utilização de painéis deslizantes.

Fachada Sul

Corresponde à entrada nobre do edifício e pretende salientar a leveza volumétrica da solução, não só pela transparência do nível dos pilotis, da quase imaterialidade das escadas de acesso aos restantes pisos, mas, sobretudo, pelo balançar do corpo do salão de leitura, equilibrado sobre pilotis de aparência aligeirada e displicente.

O MOBILIÁRIO

A distribuição do mobiliário é muito importante para uma Biblioteca, portanto, propomos que alguns pilares funcionem como estrutura também para estantes. Diferentemente destes elementos fixos, também propomos que o espaço seja tomado por concentrações diversas de mobiliário, permitindo a visão geral e não compartimentada do ambiente. Para isso estas estantes fixas estão situadas no perímetro do edifício e as demais estantes, mesas, bancos e cadeiras estão implantadas pelo espaço misturando-se a áreas de estar e convívio passivo. É importante também que estes mobiliários possam gerar descobertas e aprendizado através de sua mecânica e capacidade de mobilidade.

A ESTRUTURA

Estruturalmente o edifício da Biblioteca foi dividido em três áreas especiais: A área [A], composta pelos salões de leitura, a área [B] (estudo coletivo), a área [C] (edifício administrativo), a área [D] (mezaninos), a área [E] (pilotis) e a área [F] (subsolo).
A área [A] recebe as maiores cargas do edifício da biblioteca, pois é nela que locamos as estantes. Neste trecho temos duas situações de leitura vertical: Nos pisos 1o e 2o, os pilares estão dispostos numa malha gráfica que segue a ordem métrica dos vazios (4,30m-6m-6m), a fim de ordenarem a locação das estantes fixas. Sua laje é nervurada com formas plásticas e seus pilares possuem 40cm de diâmetro. A área [A] recebe também as cargas da área [D], formada por mezaninos metálicos atirantados na laje de teto. A área [E], é composta pelos pilotis lestes, que são locados de maneira a confundir-se com as árvores da faixa verde entre estacionamento e Biblioteca, de maneira a fazer deste espaço um desafiador as lógicas construtivas cotidianas. Assim, a estrutura participa ludicamente da paisagem sem desprezar seu sentido construtivo, tendo notória participação estética no Térreo e se escondendo em meio as estantes e vãos no 1o e 2o pisos. Já a área [B] é composta por uma laje de concreto armado com 15cm de espessura, a fim de permitir existência de piso elevado e conseqüentemente, menos carga. Seus pilares são embutidos nas paredes de alvenaria ou estão a mostra contornando o vão.

A área [C], é formada pelo edifício da administração, e possui estrutura de concreto armado. Sua laje também é preparada para receber piso elevado. Este chega até o subsolo (área [F]), que é construído para armazenamento de livros. O subsolo possui uma parede dupla, sendo a primeira diafragma, com 15cm de espessura, e a segunda de alvenaria, com 10cm. Entre elas existe um espaço vazio também de 10cm, que faz com que a umidade seja perfeitamente controlada de maneira a permitir o acúmulo de livros, a fácil drenagem de possíveis enchentes e manutenção efetiva e de baixo custo.

SUSTENTABILIDADE

Todos os processos de construção significam perdas energéticas para o meio ambiente, que dificilmente podem ser abolidos (p.ex. concreto), mas ao ser mantida a grande maioria das áreas verdes aproveitando seus recursos, ao utilizarmos tetos com isolamento e proteção, ao realizarmos uma implantação correta em termos de orientação solar, estaremos reduzindo para baixo a curva de consumo de recursos ao longo do tempo, que uma construção deste porte demanda, para assegurar um adequado índice de sustentabilidade. Esses cuidados permitirão que a nova biblioteca da PUC - Rio possa solicitar certificação junto a órgãos ambientais nacionais e internacionais (p.ex. Green Building).

ÁGUA

O edifício é dotado de instalações para o recolhimento da água resultante da condensação dos aparelhos de ar condicionado e da água de chuva acumulada na cobertura, que, após devidamente tratada, é armazenada em uma cisterna individual e pode ser utilizada em lavagens, serviços de jardinagem e nas descargas dos vasos sanitários (estudos demonstram economias possíveis de até 90%). A economia obtida ao longo do tempo amortiza este investimento.

ESGOTO

Através de biodigestores, recolhemos os esgotos e através de processos anaeróbicos obtemos a produção de gás que pode ser utilizado na cozinha. Os esgotos que não puderem ser aproveitados serão lançados na rede existente.

LIXO

O lixo proveniente da nova biblioteca da PUC - Rio será separado e recolhido pelas entidades competentes, de modo a passarem pelo processo de reciclagem e assim assegurarem um ciclo de vida mais longo para as matérias-primas, contribuindo para a proteção da floresta amazônica. A nova locação da cozinha permite a concentração de todas as circulações de serviço a norte do edifício, facilitando a remoção de resíduos (e também a entrada das matérias-primas), através da entrada de veículos pela rua Marquês de São Vicente.

DESEMPENHO ENERGÉTICO

Aproveitaremos o potencial de insolação para um sistema econômico alternativo de energia (coletores solares para aquecimento de água). Privilegiamos a iluminação natural a fim de reduzir a utilização de energia para a iluminação artificial (com a criação de clarabóias nas salas de leituras e de um poço de luz entre o edifício da administração e a biblioteca).
A utilização de sistemas inteligentes de iluminação para que as luzes estejam acessas somente com a presença de pessoas também contribui para redução de consumo de energia.

AR CONDICIONADO

O sistema de ar condicionado no prédio administrativo será constituído por duas centrais resfriadoras de água com condensadores a ar, instaladas na cobertura.

No edifício da biblioteca, optou-se por localizar na cobertura duas centrais resfriadoras de água com condensadores a ar, com bombas independentes, que formarão anéis hidráulicos secundários, que atenderão, individualmente, a biblioteca, o auditório e o restaurante.

Este sistema de centrais resfriadoras de água com condensadores a ar possibilita a redução dos custos com energia, quando se verifica um decréscimo da solicitação de carga em cada pavimento.

 

 

 

 

 

Equipe:

Marco Milazzo
Sara Jorge
Ana Paula Polizzo
Gustavo Rosadas
Gustavo Martins

 

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